Roupas do dia a dia oferecem risco de infecção por coronavírus?

Médico infectologista explica se vírus é transmitido por meio de vestes e se existe algum risco de contaminar a máquina de lavar

Vírus não é transmitido por meio da roupa, diz especialista

Vírus não é transmitido por meio da roupa, diz especialista

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O novo coronavírus infecta roupas e calçados. Entretanto, esses itens, por si só, não oferecem risco de infecção para as pessoas porque não costumam entrar em contato direto com as mucosas do nariz, olhos e boca, vias por onde o vírus pode contaminar o organismo.

"O vírus não é transmitido desse jeito [por meio da roupa]. Ninguém passa o sapato na cara, ninguém lambe o sapato ou a roupa", pondera o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Por esse motivo, o especialista afirma que também não é preciso usar roupas diferentes em casa e na rua. "Casa não é hospital, não há essa recomendação em lugar nenhum", observa, em referência a órgãos oficiais.

Ele também recomenda que as pessoas continuem lavando suas roupas da maneira que sempre fizeram. De acordo com ele, não há risco da máquina ficar contaminada com o novo coronavírus.

"Pode usar a máquina de lavar e usar os mesmos produtos de sempre. Sua casa também não é uma lavanderia hospitalar", enfatiza.

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Entretanto, ele alerta para um hábito comum que deve ser evitado: chacoalhar a roupa na hora de colocar para secar. "O perigo não é coronavírus, ao chacolhar você pode espalhar fungos que estão nessa roupa", esclarece.

O mais importante para prevenir o novo vírus e qualquer outra infecção é manter a higiene de si mesmo e da própria casa.

"O que precisa fazer é lavar as mãos. Isso diminui a chance de transmissão, mas não dá para diminuir em 100%", esclarece o médico. "E deve também higienizar a casa, [misturando] uma parte de água sanitária para nove partes de água. Mas isso deveria ser feito sempre, idependente de coronavírus", aconselha.

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Como pega?

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão do novo coronavírus ocorre pelo ar ou contato com secreções contaminadas - por exemplo saliva, tosse, espirro e catarro -, que podem estar presentem em diversas superfícies, é aí que está o risco.

Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine aponta que o novo coronavírus Sars-Cov-2 sobrevive no ar por três horas. O tempo de sobrevivência aumenta para até 4 horas em superfícies de cobre e para 24 horas no papelão.

Já em superfícies de plástico e aço inoxidável, o vírus é ainda mais estável e permanece ativo por 72 horas, ou seja, três dias.

Em entrevista ao R7, a infectologista Rosana Richtmann, também do Instituto Emílio Ribas, observou que é com as mãos que as pessoas tocam em vários lugares, por isso, essa parte do corpo funciona como um "veículo de contaminação".

"[O vírus] não entra [no corpo] através das mãos, mas se elas estão contaminadas, a pessoa pode se autoinocular, ainda que a gente não saiba ao certo por quanto tempo o coronavírus sobrevive no ambiente", explicou.

Porém, tocar uma superfície ou objeto contaminado e depois tocar o nariz, a boca ou os olhos não é considerada a principal maneira de espalhar o novo coronavírus pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos).

Ainda assim, lavar as mãos está entre as recomendações do órgão para prevenir a covid-19 e é uma medida considerada fundamental por autoridades de saúde.

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