Coronavírus

Saúde Saiba como diminuir risco de tomar vacina de vento de covid-19

Saiba como diminuir risco de tomar vacina de vento de covid-19

Para infectologistas, o melhor é seguir à risca o protocolo que garante o direito de conferir todas as etapas da sua vacinação

  • Saúde | Eduardo Marini, do R7

Resumindo a Notícia

  • Paciente e acompanhante devem verificar frasco, data de validade e aspiração do líquido
  • É também direito pedir para ver a seringa vazia após a aplicação
  • "Não é favor feito pelo vacinador; é direito previsto no protocolo", explica Rosana Richtmann
  • Especialistas temem que o problema cresça com a chegada dos grandes lotes de vacina
Agentes são treinados para exibir todas as etapas da vacinação

Agentes são treinados para exibir todas as etapas da vacinação

Rovena Rosa/Agência Brasil

Primeiro foi a demora na chegada dos primeiros lotes de vacina, dirigidos a profissionais de saúde, idosos, quilombolas e indígenas. Depois, o surgimento de fura-filas nas primeiras semanas de vacinação. Nos últimos dias, os brasileiros passaram a se preocupar com outro problema surgido na campanha de imunização contra covid-19: a aplicação da vacina de vento em vez de um verdadeiro imunizante na população.

A vacina de vento ocorre quando o agente de saúde não injeta o líquido do imunizante no corpo da pessoa. A fraude é feita, basicamente, de três modos. No primeiro, o fraudador coloca o líquido da vacina na seringa, espeta a agulha, mas não pressiona o êmbolo, o cilindro com ponta de borracha que empurra o líquido para o corpo de quem deveria ser vacinado.

No segundo modo, o procedimento é similar ao do primeiro, mas o agente espeta e retira a seringa vazia, sem sequer se dar ao trabalho de aspirar o líquido da vacina. No terceiro, o agente enche frascos usados da vacina com soro fisiológico ou outro líquido sem efeito, mas de cor semelhante à da vacina, e assim engana os desavisados.

Na prática, trata-se de roubo. Ao cidadão e ao poder público. As primeiras investigações mostram que os agentes cometem as fraudes para vender as doses roubadas a pessoas ainda fora do período de vacinação. Ou usá-las para imunizar familiares e pessoas próximas na mesma situação. Autoridades temem que a prática cresça de maneira importante à medida que lotes maiores de vacina cheguem aos estados e municípios para as fases seguintes.

Quais os cuidados principais a serem tomados para diminuir os riscos de tomar vacina de vento ao se imunizar ou levar alguém a um local de vacinação? Para Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas e dos hospitais Santa Joana e Pro Matre Paulista, em São Paulo, o melhor caminho é agentes e público seguirem à risca o Protocolo de Boas Práticas de Vacinação.

“A pessoa vacinada e seu acompanhante possuem o direito de ver a embalagem da vacina no início, conferir a data da validade e testemunhar o líquido da vacina sendo aspirado”, destaca ela. “Obviamente, a seringa do início do processo deverá ser a mesma da aplicação. Depois, deve conferir a seringa vazia. Todas essas etapas são direitos da pessoa imunizada em qualquer campanha de acordo com o protocolo. Não exige qualquer tecnologia complicada e os vacinadores são treinados para coloca-las em prática”.

O patologista Paulo Saldiva, professor da Universidade de São Paulo (USP), defende maior rigor do poder público na fiscalização diária do material usado. Ele destaca que, nos programas de imunização em massa no Brasil, entre eles o de covid-19, a maior parte das vacinas é apresentada em frascos com dez doses, cada uma com cerca de 0,5 ml (meio mililitro).

No caso da CoronaVac, esses frascos multidoses possuem 6,2 ml, o que, em alguns casos, daria para até 12 doses de 0,5 ml, se os agentes forem precisos na hora de colocar o líquido na seringa. “A prática de conferir o número de frascos e seringas usados no final do dia, batendo um com o outro, é adotada nos principais postos nesta campanha. Deveria ser estendida, como obrigação, para todos os locais de vacinação do país”, aconselha Saldiva.

O problema da vacina de vento, por enquanto, ainda não saiu de controle. Mas se roubam quando há pouco, não é absurdo desconfiar na possibilidade de multiplicação de casos quando as doses começarem a chegar em grandes quantidades, o que tornará o controle mais difícil. “Mas aí será caso de polícia. Acho que quando os primeiros agentes forem punidos, perderem seus registros profissional, a coisa será neutralizada. Espero que quem fez ou insistir seja punido. A parte dela a ciência fez”, resume Rosana.

Últimas