Saiba como é a vacinação em casa e se essa é uma saída na pandemia

SUS oferece imunização em domicílio apenas para pessoas acamadas; alternativa é mais segura somente se medidas de segurança forem seguidas

A vacinação em domicílio é uma alternativa para evitar a exposição à covid-19

A vacinação em domicílio é uma alternativa para evitar a exposição à covid-19

Leandro Ferreira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Em meio à pandemia de covid-19, a procura por serviços de saúde diminuiu devido ao medo de contrair o coronavírus, de acordo com o Ministério da Saúde. Nesse contexto, manter o calendário de vacinas em dia tornou-se um desafio que vem sendo enfrentado com campanhas de conscientização sobre o tema e até estratégias de vacinação extramuros.

Alguns municípios como Bauru (SP), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS) ampliaram a vacinação em domícilio este ano para idosos durante a campanha contra a gripe. Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imuzações), afirma que essa é uma "tática boa", mas esbarra em questões práticas para ser concretizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Falta de profissionais e tempo

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A falta de mão-de-obra e o tempo exigido são algumas dessas barreiras. "Esse ano ampliou [a aplicação da vacina da gripe em domicílio] para idosos em Porto Alegre. Mas claro que não conseguiam atender toda a demanda. A vacinação em domicílio é muito demorada porque depende de transporte e de pessoas", pondera.

Além disso, existem aspectos de logística e regras que devem ser seguidas. No geral, as vacinas precisam ser armazenadas em temperaturas de 2ºC a 8ºC. Assim, não perdem sua eficácia protetora contra doenças. "Então, para levar [até a casa] tem que usar caixas térmicas, usar gelo e controlar a temperatura com termômetro", explica.

Ele acrescenta que idependentemente do local onde o procedimento é realizado, o que garante que ele seja seguro em meio à disseminação do novo coronavírus é o respeito às normas  de segurança, que deve ser praticado por profissionais e pacientes.

Leia também: Saiba como manter a vacinação de rotina em dia durante a pandemia

"Em casa, a pessoa tem menos contato com os outros, mas isso não significa que não tenha que respeitar as regras de segurança, como uso de máscara e lavagem de mãos. Se o profissional não prestar atenção em quais EPIs [equipamento de proteção individual] devem ser utilizados, não adianta", ressalta.

"Se no domicílio tiver pessoas doentes, não chame para aplicar [a vacina]", completa.

Aplicação em São Paulo

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A cidade de São Paulo não adotou a vacinação em domícilio para idosos durante a campanha para imunizar a população contra a gripe, que vai até esta terça-feira (30).

O serviço é oferecido em alguns casos  - como o de pessoas acamadas - e não sofreu ampliação por causa da pandema de covid-19, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Ainda segundo a pasta informou por meio de nota, a vacinação casa a casa também é realizada para "pacientes específicos"  em situações que exigem a vacina de bloqueio, aplicada quando são identificados surtos como o de sarampo, que acontecem no Brasil desde 2018.

No entanto, para ter acesso à vacinação domiciliar, a pessoa deve estar cadastrada na UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima de sua casa, que pode ser encontrada por meio do Busca Saúde, o sistema de localização de serviços de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade de São Paulo.

Cunha destaca que as estratégias de vacinação variam de acordo com a situação epidemiológica e a estrutura disponível em cada município. "Em São Paulo, o profissional é mais importante na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e na UBS", analisa.

De acordo com o especialista, na rede privada, o preço pela aplicação de vacina a domicílio também é muito diverso. Na capital paulista, por exemplo, o laboratório Fleury cobra R$ 190 pela vacina da gripe - seja aplicada na unidade ou em casa. Já a Clinivac, especializada em vacinas, cobra uma taxa mínima de R$150 - que varia conforme o endereço do cliente - para realizar o serviço a domicílio.

Vacinas diferentes

No Brasil, existem dois calendários de vacinação: o do Ministério da Saúde e o da sociedade científica. Cunha explica que as vacinas do sistema público e privado são diferentes em suas composições e recomendações.

"Para gripe, há a vacina trivalente na rede pública e outra quadrivalente na rede privada. A do HPV é aplicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 no SUS, mas no particular não tem esse limite", compara.

Ele acrescenta que quando as vacinas da rede particular diferem das aplicadas no sistema público, o paciente só pode recebê-las com a apresentação de receita médica.