Saúde Saiba o que é possível fazer para se prevenir contra a gripe

Saiba o que é possível fazer para se prevenir contra a gripe

Temporada da gripe começa em abril; responsável por uma das piores epidemias dos Estados Unidos, variação do vírus H3N2 é esperada por aqui  

Saiba o que é possível fazer para se prevenir contra a gripe

Vacinação contra a gripe começa dia 16 de abril

Vacinação contra a gripe começa dia 16 de abril

Thinkstock

A campanha nacional de vacinação contra a gripe está prevista para começar no dia 16 de abril. A vacina é a melhor forma de prevenção da doença, segundo o pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

No entanto, na rede pública, ela é oferecida apenas aos chamados grupos de risco, que são aqueles que apresentam maior chance de desenvolver infecções secundárias: idosos acima de 60 anos, crianças de seis meses a cinco anos, grávidas, indígenas, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde.

Além da vacina, é possível adotar condutas que também previnem o contágio. De acordo com o infectologista, a principal delas é lavar as mãos com frenquência. "Evitar aglomerações e manter uma vida saudável também ajudam".

Tomar suplementos vitamínicos ou vitamina C, vitamina D e ômega 3 não interferem no aumento da imunidade, segundo o cardiologista Marcus Vinicius Gaz, do Hospital Israelita Albert Einstein. Ele explica que a exceção são os casos de pessoas que precisam de suplementação alimentar devido a problemas de absorção de nutrientes.

Imunidade é a capacidade do corpo de combater a invasão de agentes infecciosos, sejam fungos, bactérias ou parasitas. Ao entrar em contato com esses agentes, os glóbulos brancos, células especializadas na defesa do organismo que circulam no sangue, diminuem. Quanto menos glóbulos brancos, menor a capacidade do corpo de produzir anticorpos para derrotar uma infecção.

De acordo com o cardiologista, não existe correlação entre ingestão de mel, própolis e geleia real com o aumento da imunidade. No entanto, uma alimentação rica em hortaliças, verduras e frutas é capaz de “emponderar”, como ele diz, o sistema imune.

Assim como Kfouri, Gaz reforça a importância da higiene das mãos. "Para a manutenção da imunidade, o uso do álcool gel é mais potente do que qualquer vitamina C. A forma mais comum de contágio por vírus, que acabam abrindo portas para infecções, é o contato".

H3N2 prevalece no Brasil

No Brasil, a temporada de gripe ocorre de abril a julho. “Este ano, a temporada não se antecipou como ocorreu em 2016, o que acabou provocando um maior número de mortes. As mortes registradas até agora são casos isolados”, diz ele. Naquele ano, 1.982 pessoas morreram no país em decorrência do H1N1.

Desde o ano passado até o momento, o vírus da gripe predominante no Brasil é o H3N2, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado semanalmente pelo Ministério da Saúde. Kfouri explica que não é possível prever se esse vírus manterá sua prevalência e qual será sua intensidade. “Só conseguiremos descobrir isso no meio da temporada. O que podemos fazer é proteger os vulneráveis”, afirma.

O H3N2 provocou uma das piores epidemias da gripe dos últimos anos nos Estados Unidos neste último inverno, e o mesmo vírus é esperado por aqui. “O vírus da gripe tem características pandêmicas devido às suas vias de transmissão, que são pelo trato respiratório. Provavelmente o vírus que já começa a circular aqui é o mesmo dos Estados Unidos pela facilidade de transmissão hoje em dia”, explica a virologista Erna Kroon, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O Brasil sofre uma epidemia de gripe todos os anos, que acomete 10% dos adultos e 70% das crianças, segundo o infectologista. “Mas o país costuma atingir 80% da cobertura vacinal, parâmetro que está acima da média mundial”.

"O Brasil sofre uma epidemia de gripe todos os anos, que acomete 10% dos adultos e 70% das crianças"
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim)

Segundo o infectologista, a epidemia de H3N2 que ocorreu nos Estados Unidos, tomou grandes proporções – atingiu 49 dos 50 estados americanos, contaminando mais de 60 mil pessoas e matando cerca de 20 crianças – devido à baixa eficácia da vacina.

“Há um sistema de vigilância internacional que vai percebendo a variação do vírus circulante durante o ano para produzir a vacina com paridade a esse vírus. Mas houve erro nessa previsão, por isso a eficácia da vacina foi muito baixa”, explica.

As informações desse sistema são enviadas à OMS que emite as recomendações sobre a composição da vacina para o inverno, em fevereiro, para o Hemisfério Norte e, em setembro, para o Hemisfério Sul.

Segundo a determinação da OMS, as vacinas trivalentes deste ano deverão ser compostas por um vírus de tipo A (H1N1) detectado em Michigan, nos Estados Unidos, em 2015, outro de tipo A (H3N2) encontrado em Cingapura, em 2016, e outro de tipo B observado em Phuket, na Tailândia, em 2013.

Vacina é feita do fragmento do vírus

No Brasil, a vacina da gripe é produzida pelo Instituto Butantan e disponibilizada na rede pública pelo Ministério da Saúde. Este ano, o instituto vai disponibilizar 60 milhões de vacinas, 15 milhões a mais que no ano passado. Mesmo assim, segundo Kfouri, não há vacina para todos. "Por isso é preciso priorizar os grupos nos quais a gripe possa evoluir para doenças mais graves. O risco de complicação da gripe em jovens adultos é menor”, explica.

Ele ressalta que pessoas que estão fora do grupo de risco podem aproveitar a oportunidade para se vacinar em programas de vacinação realizados por empresas ou outras agremiações. Há também as vacinas disponíveis em clínicas particulares.

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A vacina da gripe é feita a partir do fragmento do vírus morto, portanto incapaz de se multiplicar dentro do organismo. De acordo com o infectologista, demora duas semanas para fazer efeito. “Muitas pessoas acham equivocadamente que tomaram a vacina e pegaram a gripe. Isso é impossível de acontecer. O que pode ocorrer é a pessoa tomar a vacina para um tipo de vírus e pegar outro”, explica.

Confira a entrevista com o Dr. Antonio Sproesser sobre as vacinas contra HPV e Meningite C: