Sarampo: por que jovens adultos são os mais contaminados no país?

Segunda fase da campanha de vacinação, em andamento, é dirigida a pessoas de 20 a 29 anos; faixa etária responde por um terço dos casos da doença 

Jovens adultos são mais refratários à vacinação

Jovens adultos são mais refratários à vacinação

Leandro Ferreira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Três em cada dez infectados pelo vírus que causa o sarampo em todo o país têm idade entre 20 e 29 anos. Na tentativa de imunizar essa parcela da população, o Ministério da Saúde faz uma campanha de vacinação focada nessa faixa etária.

Os jovens adultos são mais suscetíveis a ser contaminados e a transmitir o vírus para os outros porque frequentemente estão em locais com aglomeração de pessoas, explica o médico Jorge Kalil, coordenador do Instituto de Investigação em Imunologia.

"O adulto jovem circula muito e pode levar [o sarampo] para grupos de risco, até mesmo em casa. E é um grupo que é difícil chamar para as campanhas de vacinação."

O ministro interino da Saúde, João Gabbardo, também ressaltou que a preocupação em vacinar os jovens é justamente evitar que eles levem o vírus a pessoas mais vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças e indivíduos com a saúde fragilizada.

"As pessoas dessa faixa etária [de 20 a 29 anos] precisam pensar naqueles que são mais suscetíveis às complicações da doença. Neste público, problema não é a gravidade, mas o fator de transmissão da doença”.

Além disso, o médico infectologista Francisco de Oliveira Junior, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, acrescenta que "os adolescentes e adultos jovens de hoje tomaram apenas uma dose depois dos 12 meses, sendo que eram necessárias duas doses para a proteção".

O fato de o sarampo ter praticamente saído de circulação no Brasil nas últimas décadas fez com que até mesmo pessoas vacinadas perdessem a capacidade de defesa contra o vírus.

Isso ocorre porque o contato com o vírus fortalece o sistema imunológico em quem já está vacinado. Por outro lado, sem essa exposição, perdem-se gradualmente os anticorpos adquiridos na vacina.

Apenas no Estado de São Paulo, haviam sido registrados 11.574 casos até o dia 12 de novembro, sendo que 87% se concentravam em 37 das 39 cidades da região metropolitana da capital. A cidade de São Paulo responde por mais da metade: 6.510.

O governo paulista contabilizou ainda 14 mortes decorrentes da doença, sendo metade delas de menores de cinco anos.

Kalil afirma que a única contraindicação da vacina no grupo de 20 a 29 anos é para gestantes, que não devem ser vacinadas.

A campanha iniciada em todo o país no último dia 18, e que vai até o dia 30, conta com 11 milhões de doses da vacina tríplice viral e espera imunizar 9,4 milhões de pessoas entre 20 e 29 anos. 

Arte/R7

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