Sarampo
Saúde Sarampo ultrapassa 1.600 casos e bebês são as maiores vítimas

Sarampo ultrapassa 1.600 casos e bebês são as maiores vítimas

Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (20), 98,9% dos casos estão no Estado de São Paulo; bloqueio é principal estratégia

Sarampo ultrapassa 1.600 casos e bebês são maiores vítimas

A vacina tríplice viral protege contra o sarampo, caxumba e rubéola

A vacina tríplice viral protege contra o sarampo, caxumba e rubéola

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Brasil registra 1.680 casos de sarampo no país em 88 municípios e os bebês abaixo de 1 ano são as maiores vítimas, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (20). Desse total, 1.662 ocorrências foram registradas no Estado de São Paulo, o que equivale a 98,9% dos casos no país.

Depois das crianças, outra faixa etária afetada é a de jovens entre 15 e 29 anos. Não há mortes confirmadas. 

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"As causas do surto em São Paulo são as baixas coberturas vacinais nessas faixas etárias. Não há estudo que comprove que haja mutação do vírus nem evidencia de falha vacinal. Temos uma situação epidemiológica global e o Brasil está inserido nesse contexto", afirmou Wanderson de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde durante a entrevista coletiva a jornalistas.

A partir desta quinta-feira (22), a vacinação será ampliada em todo o país para crianças de seis meses a 1 ano, o que ocorria apenas em Estados com surto, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná e, no ano passado, Amazonas e Roraima.

Segundo ele, o horário dos postos de saúde será expandido para alcançar a meta de 95% da cobertura vacinal. 

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"A faixa etária mais acometida é a de menos de 1 ano de idade, porque a criança ainda não recebeu uma dose da vacina e espera-se anticorpos da mãe, mas muitas mulheres não têm atualização da vacina", diz.

"Nós não recomendamos a vacinação antes dos 6 meses de idade e a gestante não pode tomar a vacina, pois é feita com vírus vivo atenuado. Mas podemos ter casos em menores de 6 meses de idade, mas em frequência muito menor do que entre 6 e 11 meses de vida. É importante as mães evitem locais fechados e aglomerados com seus filhos, pois essas crianças ainda estão com seu sistema imunológico em formação", completa.

O Ministério afirmou que neste ano foram registrados o total de 1.845 casos confirmados da doença, porém, apenas 1.680 deles se referem ao surto deste ano. Os demais estão relacionados ao surto do ano passado, que ocorreu no Amazonas e em Roraima. Com exceção da Bahia, cujo caso foi importado da Espanha, nos demais Estados as ocorrências estão relacionadas aos casos de São Paulo.

No ano passado, o país registrou 10.330 casos com pico no mês de julho e redução em agosto. Segundo o secretário, neste ano, a doença está seguindo o mesmo padrão. Ele afirma que a transmissão do sarampo ocorre da mesma forma que as doenças respiratórias, com mais intensidade no período mais frio.

"Para que um Estado seja considerado livre do sarampo é preciso que apresente 90 dias sem casos", afirma.

Ele explica que 7 milhões de dose da vacina foram distribuídas pelo Ministério da Saúde para o Estado de São Paulo. "Normalmente são 3 milhões de doses por ano para todo o Brasil", diz. 

A estratégia para conter os surtos, segundo o secretário, engloba a intensificação da vacinação de rotina, a dose zero, que é a dose adicional em crianças com 6 meses a 11 meses e 29 dias de vida, e o bloqueio vacinal seletivo, que deve ser feito até 72 horas do primeiro caso suspeito. "As ações de bloqueio são fundamentais, pois impede a disseminação do sarampo a pessoas suscetíveis", diz.

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O Ministério ressalta que a “dose zero” não substitui a primeira dose do calendário nacional de vacinação da criança. "Além dessa dose, os pais ou responsáveis devem levar os filhos para tomar a vacina tríplice viral aos 12 meses e vacina tetra viral ou a tríplice viral mais varicela aos 15 meses".

Segundo o secretário, há doses suficientes de vacina para imunização de rotina e de bloqueio. "Mais de 1, 4 milhão de crianças ainda devem ser vacinadas. Vale ressaltar que não se trata de uma campanha. Os pais podem fazer essa vacinação de forma tranquila", finaliza.

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