Se população se proteger, só 40% precisam ficar em casa, diz estudo

Para reduzir essa régua, no entanto, hoje calculada em 70%, é essencial que mais de dois terços das pessoas sigam todos os cuidados contra a covid-19

Matemático diz que prevenção não pode diminuir

Matemático diz que prevenção não pode diminuir

Universidade Anhembi Morumbi / Divulgação

Um estudo do matemático Osmar Pinto Neto, da Universidade Anhembi Morumbi, mostra que, se pelo menos 68% da população paulista seguir corretamente as medidas de prevenção (máscaras, álcool gel, distanciamento físico, etc) contra o novo coronavírus, 40% apenas precisam ficar em casa.

Saiba como se proteger e tire suas dúvidas sobre o novo coronavírus

Para chegar ao percentual, Neto levou em conta a capacidade do sistema de saúde atual do estado de São Paulo para suprir a demanda das novas infecções. O estudo foi publicado dia 1º de maio na plataforma medrxiv. 

Governo de São Paulo prorroga quarentena até 31 de maio

A novidade dessa divulgação foi o percentual dos que precisam se precaver, confinados ou não em casa. Até então se calculava somente que 70% das pessoas tinham de ficar em suas residências.

Leia mais: "Nenhum estudo prova que 70% têm de ficar em casa"

"Nessa semana surgiu a informação de que em Nova York [EUA] a maior parte dos novos casos de covid-19 era de moradores isolados em casa. Isso não quer dizer que o isolamento não adianta, claro que sim, mas ele também tem que ser seguido por procedimentos de segurança, da forma como se higieniza as embalagens do supermercado e lava-se as mãos à maneira como se recebe o entregador de pizza."

Neto afirma que, em qualquer cenário, é preciso garantir um alto perecentual de cidadãos que usem  corretamente as máscaras, que mantenham distância de ao menos 1,5 metro ou 2 metros para outras pessoas em filas, no trabalho ou corredores de lojas, que utilizem regularmente álcool gel e evitem levar a mão à boca, nariz e olhos. "Não é abrir indiscriminadamente, de qualquer forma, porque isso só vai agravar a pandemia", analisa.

A pesquisa não tinha a intenção de sugerir a política que deveria ser adotada por autoridades públicas do estado ou do país, mas, sim, calcular o impacto nos hospitais que a retomada pode ter.

Com mais educação, poderia ser 20%

"Duas possibilidades ficaram claras no cruzamento de dados para nortear uma eventual reabertura. Ou se mantém 40% isolados com 68% utilizando com a máxima atenção os métodos de prevenção, ou 20% em casa, com 80% superpreocupados, seguindo os cuidados disponíveis para evitar o contágio", explica o professor e pesquisador em Engenharia Biomédica da Anhembi Morumbi.

Como considera 80% de "conscientes e precavidos" uma fatia alta demais para os brasileiros, aposta que uma expectativa viável é a de 40% de isolamento para 68% de prevenidos.

O índice de isolamento em São Paulo tem ficado abaixo de 50% nos últimos dias.

Neto acredita ser possível que 68% da população tome as precauções para evitar a contaminação pelo vírus. De acordo com ele, esse número já é percebido em pesquisas feitas nos Estados Unidos e nos poucos levantamentos nacionais.

"Consideramos que tomam todos os cuidados pessoas que responderam nessas  pesquisas que estavam preocupadas ou extremamente preocupadas com o novo coronavírus", justifica Neto.

O pesquisador sugere que sejam feitas aferições mais abrangentes para se saber o exato índice de paulistanos que estão se prevenindo antes de fazer a reabertura. Além de se manter campanhas, pela imprensa e por órgãos públicos, para que a população continue se precavendo.

Vários cenários

Ele conta que milhares de cenários foram calculados por computadores que cruzaram dados das UTI (Unidades de Terapia Intensiva) do estado, número de casos registrados, letalidade da doença e a taxa de infecção que aumenta na medida em que se eleva o número de pessoas na rua.

"Observamos qual a quantidade de infecções seria possível e o número de ocorrências graves que não comprometeria o sistema de saúde."

Inúmeras variáveis foram adicionadas. "Quando a doença surgiu na China, pensava-se que 20% dos doentes buscariam os hospitais. Hoje se fala em 5%. Também usamos, como referência, o comportamento do vírus nos Estados Unidos, que tem a covid circulando há mais tempo que aqui."

O matemático acrescenta ainda que não só a covid-19 foi levada em consideração na busca do índice que colocaria as unidades de saúde do estado em colapso. "Nem todas as UTIs ficarão à disposição dos infectados pelo coronavírus, é preciso haver uma margem para o sujeito que se acidenta de carro e precisa ser internado e para doentes de outras enfermidades", diz.

Osmar Pinto Neto diz que o estudo já foi ampliado para além de São Paulo e nos próximos dias serão divulgados os percentuais regionais indicados para a retomada gradual das atividades no Brasil inteiro.

Até a quinta-feira (7), o Brasil tinha 135.106 casos confirmados, com 9.146 mortes. Apenas em São Paulo eram 39.928 infectados e 3.206 óbitos.