Novo Coronavírus

Saúde Sem testes em massa, Brasil inclui diagnóstico clínico a dados de covid

Sem testes em massa, Brasil inclui diagnóstico clínico a dados de covid

Em meio ao avanço da pandemia, que já afeta quase 90% dos municípios, País aposta em método para diminuir subnotificação de casos apontada pela OMS

  • Saúde | Ricardo Pedro Cruz, do R7

Saúde reconhece avança da pandemia, após expectativa por estabilização

Saúde reconhece avança da pandemia, após expectativa por estabilização

PAULO CARNEIRO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A pandemia do novo covonavírus já atinge quase 90% dos municípios do Brasil, que acumula 53.830 mortes e 1.188.631 casos confirmados de covid-19 desde o início da crise sanitária. Com 860.604 exames RT-PCR realizados pela rede pública até o momento e a ausência de estimativas mais precisas quanto a aplicação de testes rápidos (sorológicos), a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que há, sim, subnotificação de casos no País. 

Diante do cenário e da falta de testagem em massa, como recomenda a própria organização internacional, o Ministério da Saúde decidiu ampliar o programa nacional de diagnósticos com a inclusão do critério clínico —com ou sem a realização de exame de tomografia do pulmão. Até então, o modelo só se aplicava em pacientes com histórico de contato com pessoas contaminas pelo vírus. O que, segundo a pasta, deixou de apresentar eficácia por conta do avanço da doença em todas as regiões. 

De acordo com o órgão, os testes continuarão sendo realizados em hospitalizações e óbitos. “Estamos acrescentando outros critérios para confirmação de covid-19, que nos ajudam a confirmar os casos de SRAG (síndrome respiratória aguda greve) e síndrome gripa (casos leves) em que o teste não foi conclusivo. Ainda estamos ampliando os testes para casos leves”, explicou por meio da assessoria de imprensa. 

Atenção primária

Governo espera testar 46 milhões de pessoas até o fim do ano

Governo espera testar 46 milhões de pessoas até o fim do ano

Reprodução / Pixabay

Entre as mudanças apresentadas ontem, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), está a realização de exames RT-PCR, considerado padrão-ouro, em 100% dos casos de SG (síndrome gripal) nas unidades sentinelas. Até então, eram coletadas apenas cinco amostras respiratórias nesses locais, que atuam no apoio a vigilância epidemiológica no país. 

Veja: OMS vê América Latina longe do pico e de poder sair de isolamento

Serviços de saúde credenciados para a modalidade de Centros de Atendimento à covid-19 também poderão coletar amostras de todos os casos leves da infecção respiratória. A expectativa, de acordo com o Ministério da Saúde, é que 22% da população seja testada. No entanto, diante de um possível aumento da demanda, os LACENs (Laboratórios Centrais de Saúde Pública) poderão encaminhar as amostras excedentes para as Centrais de Testagem. 

“Nas últimas semanas percebemos que a doença caminhava para o interior, com uma população que precisava ser assistida. Portanto, abre-se uma janela de oportunidade muito grande para fazermos a testagem da população brasileira, que mora e que vive nesses municípios do interior do Brasil”, justificou Arnaldo Correia de Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde.

Estabilização não se confirma

Na semana passada, segundo o secretário, havia a expectativa por uma possível estabilização das curvas de casos e óbitos por corvid-19, mas que não se confirmou entre as 24ª e 25ª semanas epidemiológicas. Segundo o representante da pasta, a pandemia continua avançando de forma "significativa" no Brasil. 

"A gente tinha falado, na semana anterior, que parecia que a curva tenderia a uma certa estabilização, com a diminuição dos números de casos. A gente vê que nesta semana tivemos um aumento significativo de casos novos, entre as semanas 24 e 25", reconheceu.

Em relação aos óbitos, a tendência de crescimento também foi observada por ele. No entanto, Correia ressaltou que a "inclinação" foi menos "agressiva" quando comparada com os indicadores de novas ocorrências da doença.

OMS aponta subnotificação

OMS considera RT-PCR padrão-ouro no diagnóstico da covid-19

OMS considera RT-PCR padrão-ouro no diagnóstico da covid-19

Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Michael Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, disse no início da semana que a pandemia de covid-19 tem sido subnotifica no País, devido ao baixo número de testes realizados. "Nós estamos subestimando o número real de casos", disse o diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS.” 

O Brasil é o país com o segundo maior número absoluto de casos diagnosticados da infecção pelo novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos. Porém, a OMS reconhece que o número de testes é insuficiente para se saber o número exato de casos.

Segundo o governo federal, desde o início da epidemia, mais de 24 milhões de testes RT-PCR foram adquiridos pela Saúde, sendo que mais de 11 milhões já foram entregues à pasta. Do total, 3.818.184 foram distribuídos aos laboratórios, enquanto 860.604 realizados até o momento. 

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