Sobe para 17 o número de mortos por novo vírus na China

Governo da província de Hubei, onde começou o surto, informou que já são 444 casos confirmados desde meados de dezembro

Doença começou em meados de dezembro

Doença começou em meados de dezembro

Reuters

O número de mortos na província de Hubei devido a um novo vírus detectado na China aumentou para 17, e o número total de casos confirmados também subiu, informou nesta quarta-feira (22) a televisão estatal, citando o governo local.

Por volta das 20h do horário local (9h, horário de Brasília), a província confirmou 444 casos do coronavírus, que surgiu em sua capital, Wuhan.

Entre os casos confirmados, 399 pacientes estão recebendo tratamento em hospitais, sendo 71 em estado grave e 24 em estado crítico, disse Yang Yunyan, vice-governador da província, em entrevista coletiva.

O número anterior de mortes informadas na China era de nove, todas na província de Hubei.

As autoridades sanitárias globais temem que a taxa de transmissão acelere, já que centenas de milhões de chineses viajarão pelo país e ao exterior durante o próximo feriado do Ano-Novo Lunar, que dura uma semana.

A Tailândia registrou quatro casos, e Coreia do Sul, Japão, Taiwan e Estados Unidos, um cada. Todos esses casos envolveram pessoas que estiveram recentemente em Wuhan, cidade com 11 milhões de habitantes.

Investigação

As autoridades de saúde chinesas ainda estão tentando determinar a origem do vírus, que, segundo elas, vem de um mercado em Wuhan onde animais eram comercializados ilegalmente. A OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que provavelmente a fonte primária é um animal.

O vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, disse a repórteres em 22 de janeiro que há evidências de transmissão respiratória do vírus entre humanos.

As autoridades chinesas também afirmaram que 15 funcionários da área de saúde foram infectados.

Alguns especialistas dizem que o vírus pode não ser tão mortal quanto alguns outros coronavírus, como o tipo que causou a SARS (síndrome respiratória aguda grave), que matou quase 800 pessoas durante um surto de 2002-2003, também originário da China.

Medidas de controle

Não há vacina para o novo vírus, que a China diz estar sofrendo mutação. Os sintomas incluem febre, tosse e dificuldade em respirar.

As autoridades chinesas intensificaram os esforços de monitoramento e desinfecção antes do feriado do Ano-Novo Lunar, que começa formalmente em 24 de janeiro, quando muitos dos 1,4 bilhão de habitantes da China viajam no país e para o exterior.

Elas também aconselharam as pessoas a não viajarem para Wuhan e também pediram aos moradores de Wuhan que permanecessem na cidade.

Autoridades aeroportuárias dos Estados Unidos e de muitos países asiáticos, incluindo Japão, Tailândia, Cingapura e Coreia do Sul, intensificaram a triagem de passageiros de Wuhan.

A OMS enviou diretrizes para hospitais de todo o mundo sobre prevenção e controle de infecções. Também convocou um comitê de emergência de especialistas para avaliar nesta quarta-feira se o surto constitui uma emergência internacional.

Reação

Embora a OMS ainda não tenha recomendado restrições comerciais ou de viagens, algumas plataformas chinesas de reservas de viagens e companhias aéreas ofereceram cancelamentos gratuitos para viagens a Wuhan.

Além de Wuhan, alguns chineses começaram a cancelar outros planos de viagem para o Ano-Novo Lunar e a evitar áreas públicas como cinemas e shopping centers. As empresas estão distribuindo máscaras e alertando os funcionários para evitar Wuhan.

A Disneylândia de Xangai, por exemplo, está isentando algumas taxa de remarcação para clientes que alteram os planos de viagem.