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Saúde Tratamentos da Covid-19: o que funciona e o que está em pesquisa

Tratamentos da Covid-19: o que funciona e o que está em pesquisa

Laboratórios trabalham no desenvolvimento de antivirais por via oral; corticoides são os mais eficazes para casos graves

AFP
  • Saúde | por AFP

A hidroxicloroquina e a ivermectina são comprovadamente ineficazes para tratar a Covid

A hidroxicloroquina e a ivermectina são comprovadamente ineficazes para tratar a Covid

Sebastiao Moreira/EFE

A campanha de vacinação de bilhões de pessoas em um ano ofuscou a pesquisa de tratamentos contra a Covid-19, que avançam muito mais devagar, mas apresentam novas esperanças.

Corticoides

Foi o primeiro tratamento oficialmente recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em setembro de 2020, mas apenas para os pacientes em estado grave.

Com base nos dados dos testes clínicos disponíveis, a OMS recomenda "a administração sistemática de corticoides" aos pacientes que sofrem uma "forma grave ou crítica" da Covid-19. 

Dessa maneira é possível reduzir a mortalidade, combater a inflamação detectada nos casos mais graves e o risco de necessidade de respiração artificial, segundo a OMS. 

Tocilizumab e sarilumab

Esses medicamentos são anticorpos sintéticos, chamados "monoclonais", que integram uma família conhecida como "antagonistas da interleucina 6 (anti IL-6)". A OMS recomenda seu uso para os caso mais graves desde julho de 2021. 

A organização aconselha que esses pacientes "recebam corticoides e anti IL-6". 

Desenvolvidos a princípio para combater a poliartrite reumatoide, uma doença inflamatória, o tocilizumab (vendido pelo laboratório Roche com os nomes de Actemra ou RoActemra) e o sarilumab (comercializado pela Sanofi como Kevzara) são imunossupresores.

Assim como os corticoides, esses medicamentos inibem a reação do sistema imunológico, que está por trás das formas mais graves de Covid-19. 

Ronapreve

A OMS abriu na sexta-feira (24) a porta para esta combinação de dois anticorpos monoclonais (casirivimab e imdevimab), mas apenas para dois tipos de pacientes: 

Em primeiro lugar, "os que apresentam formas menos graves do coronavírus, mas que tenham risco elevado de hospitalização", como as pessoas mais velhas, com o sistema imunológico frágil (por um câncer ou após um transplante, por exemplo). 

Em segundo lugar, os pacientes "com uma forma grave ou crítica que não tenham anticorpos" do vírus após uma infecção ou com as vacinas, como pode acontecer com os imunodeprimidos, nos quais a vacinação não é eficaz.

Esse tratamento desenvolvido pela empresa de biotecnologia Regeneron, em associação com o laboratório Roche, tem um preço por dose muito alto (US$ 2.000, segundo as ONGs), valor que a OMS espera conseguir reduzir.  

Antivirais por via oral

Vários laboratórios trabalham na pista de antivirais administrados por via oral. 

Um dos mais avançados é o molnupiravir, desenvolvido por uma aliança entre o laboratório MSD e a empresa de biotecnologia Ridgeback Biotherapeutics. 

Testes clínicos estão acontecendo com pacientes (hospitalizados ou não) e em pessoas que tiveram contato com enfermos de Covid-19. Os resultados podem ser conhecidos até o fim do ano.   

A Atea Pharmaceutical, empresa de biotecnologia, e o laboratório Roche estão estudando a eficácia de um tratamento comparável, o AT-527. 

A Pfizer está desenvolvendo um medicamento combinando duas moléculas, incluindo o ritonavir, que já é usado contra o vírus da Aids. 

Esses tratamentos "fáceis de tomar e eficazes nas formas precoces de Covid-19", têm um mercado "potencialmente enorme", destacou recentemente a infectologista Karine Lacombe.

A cientista, no entanto, alerta contra os "anúncios impactantes" da indústria, porque, de maneira geral, esses remédios não apresentaram resultados convincentes contra o coronavírus.

Anticorpos de nova geração

Outros laboratórios estão trabalhando em anticorpos monoclonais de longa duração.

A Comissão Europeia considerou um deles, o sotrovimab, desenvolvido pela GSK, como um dos cinco tratamentos mais promissores. 

Outro, o AZD7442, é um coquetel de anticorpos elaborado pela AstraZeneca cujos resultados provisórios foram divulgados no fim de agosto. O laboratório afirma que pode ser eficiente contra a doença em pacientes em situação frágil.

Por fim, a empresa francesa Xenothera trabalha em outro tipo de anticorpos sintéticos, chamados "anticorpos policlonais". Seu produto, o XAV-19, com anticorpos de origem suína, está na fase final de testes clínicos.  

Desde o início da pandemia, vários tratamentos se revelaram inúteis.

A hidroxicloroquina, o remdesivir (que parecia muito promissor em um primeiro momento), a ivermectina e a associação entre lopinavir e ritonavir (nome comercial Kaletra), que é usada contra o vírus da Aids, são alguns deles.

Esses medicamentos são todos "reposicionados", ou seja, a princípio estavam destinados a outro uso, mas foram feitos testes para a luta contra a Covid. A OMS foi progressivamente desaconselhando seu uso contra essa doença.

Após o fracasso de todos, com exceção dos anti-IL-6, "entramos em uma etapa de medicamentos específicos contra o SARS-CoV-2", o vírus da Covid-19, explica Karine Lacombe.

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