Saúde Trump insiste em preencher vaga na Suprema Corte antes das eleições

Trump insiste em preencher vaga na Suprema Corte antes das eleições

Presidente dos EUA afirmou que pretende enviar rapidamente ao Senado nome de substituta da juíza Ruth Bader Ginsburg, falecida na sexta-feira

Nomeação mudaria composição ideológica da Corte

Nomeação mudaria composição ideológica da Corte

Will Dunham/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta segunda-feira (21) em substituir rapidamente a falecida juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg, apesar dos pedidos da oposição e de alguns de seu partido para aguardar as eleições.

O presidente garantiu em entrevista à rede Fox que na próxima sexta ou sábado anunciará seu candidato para substituir a juíza progressista, falecida na sexta-feira passada, decisão que pode mudar o equilíbrio existente até agora na Suprema Corte.

Trump, que já anunciou que a escolhida será uma mulher e que prefere que ela seja jovem para que permaneça mais tempo naquele cargo vitalício, disse que reduziu a cinco sua lista de possíveis candidatas, mas não revelou seus nomes.

Lista reduzida

Amy Coney Barrett é uma das favoritas para vaga

Amy Coney Barrett é uma das favoritas para vaga

Matt Cashore/Notre Dame University/via Reuters

A favorita na lista, de acordo com o The New York Times, é Amy Coney Barrett, uma magistrada conservadora de apenas 48 anos; seguida pela cubano-americana Barbara Lagoa, 52, e Allison Jones Rushing, 38; bem como a advogada da Casa Branca Kate Todd.

Segundo o presidente, ele só quer aguardar o encerramento das cerimônias de despedida da magistrada falecido para dar início ao processo de substituição, que deverá ser homologado pelo Senado.

“Acho que será sexta ou sábado, porque queremos prestar nossos respeitos. Parece que teremos serviços [funerais] na quinta ou sexta-feira, pelo que entendi, e acho que devemos esperar que acabem, com todo o respeito a juíza Ginsburg ", disse o presidente na entrevista por telefone.

Despedida

Caixão será exposto em Washington para público se despedir

Caixão será exposto em Washington para público se despedir

Elizabeth Frantz/Reuters

Os restos mortais de Ruth Bader Ginsburg serão expostos entre esta quarta e sexta-feira na sede da Suprema Corte e no Capitólio, para que a população possa prestar uma última homenagem a ela.

A Suprema Corte anunciou nesta segunda-feira que o caixão da magistrada será colocado na quarta-feira no Lincoln Catafalque no topo da Suprema Escadaria, na área monumental de Washington, para permitir a exibição do público naquele dia e nos próximos ao ar livre, devido à pandemia do coronavírus.

Na sexta-feira, o caixão será levado ao National Statuary Hall no Capitol Hill para uma cerimônia formal que será aberta apenas para convidados, de acordo com a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi.

A decisão de Trump de nomear imediatamente uma substituta para Ginsburg, que morreu aos 87 anos, gerou polêmica, porque a juíza progressista veterana escreveu, antes de morrer, que seu "desejo mais fervoroso" era "não ser substituída até que haja um novo presidente" emergindo das eleições de 3 de novembro.

Na entrevista, Trump questionou a veracidade deste último desejo da magistrada — que o ditou à sua própria neta, revelado pela estação NPR — e disse que isto poderia ter sido escrito pelos líderes democratas do Congresso.

Trump disse que o desejo parece vir mais de Pelosi, do presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, de Adam Schiff, que presidiu o processo de impeachment fracassado contra ele, ou do líder da minoria democrata no Senado, Charles Schumer.

“Não sei se ela disse isso, ou foi escrito por Adam Schiff, Schumer e Pelosi?” Trump perguntou-se zombeteiramente.

Margem de apoio reduzida

Além da oposição democrata completa, já houve dois senadores republicanos que se opuseram à vaga de Ginsburg ser preenchida antes da eleição.

São as senadoras Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca, esta última relembrou que, na véspera das eleições de 2016, com o falecimento do conservador ministro da Suprema Corte, Antonin Scalia, ela também se opôs à indicação de um substituto.

E então, quando a nomeação pertencia ao presidente democrata Barack Obama, a morte de Scalia ocorreu oito meses antes da eleição, e não um mês e meio, como agora, disse ela.

Naquela ocasião, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, simplesmente ignorou o candidato indicado por Obama e nem mesmo convocou uma votação sobre ele, argumentando que não fazia sentido aprová-lo em um ano eleitoral.

Os republicanos, que têm 53 das 100 cadeiras no Senado, precisariam de apenas 51 votos para confirmar o indicado de Trump para o cargo.

Se chegarem aos 50, também podem, porque o presidente do Senado, o vice-presidente do país, Mike Pence, iria desempatar. Então. eles só podem permitir três votos contra em suas fileiras.

Sob Ginsburg, a Suprema Corte tinha cinco juízes conservadores e quatro progressistas.

Se Trump tiver sucesso em confirmar sua nomeação, isso apoiaria ainda mais um domínio conservador que poderia durar décadas e tomar decisões de longo alcance em questões como aborto ou imigração, fundamental para sua base de eleitores.

A magistrada será enterrada em uma cerimônia privada na próxima semana no Cemitério Nacional de Arlington, em frente ao Monumento a Washington, do outro lado do rio Potomac.

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