Uso de máscara não gera falsa sensação de segurança, diz estudo

Pesquisadores da King’s College de Londres e Universidade de Cambridge chegaram à conclusão de que quem usa o acessório lava mais as mãos

Uso da máscara é obrigatório em mais de 160 países por causa da covid-19

Uso da máscara é obrigatório em mais de 160 países por causa da covid-19

Gonzalo Fuentes/Reuters - 20.07.2020

Utilizar máscara ou qualquer cobertura facial não gera falsa sensação de segurança e não leva à negligência de outros cuidados, como higiene das mãos, não contribuindo, portanto, para aumentar o risco de disseminação da covid-19, segundo um estudo da King’s College de Londres e Universidade de Cambridge publicado no periódico médico BMJ (British Medical Journal).

No início da pandemia, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou que o uso da máscara poderia "criar uma sensação falsa de segurança que levaria à negligência de outras medidas essenciais". Este tipo de comportamento é conhecido como "compensação do risco". As pessoas se sentem confortáveis ​​e ajustam seu comportamento, mantendo o nível de risco.

Os pesquisadores ressaltam no documento que o conceito de "compensação de risco" é uma ameaça à saúde pública, pois pode desencorajar o poder público de implementar o uso da máscara.

Atualmente, o uso do acessório é obrigatório em mais de 160 países para controlar a transmissão da covid-19. Se utilizado corretamente, reduz a disseminação da doença, junto com outras medidas, como distância de 2 m entre as pessoas e higiene frequente das mãos.

Os pesquisadores analisaram seis estudos experimentais, envolvendo mais de 2 mil famílias. O resultado mostra que o uso de máscaras não reduz a frequência de higienização das mãos. Em dois estudos, as taxas de lavagem das mãos foram inclusive maiores nos grupos que usavam máscaras.

As pesquisas também mostraram que as pessoas tendem a se afastar daqueles que usam máscara, sugerindo que o uso do acessório não afeta o distanciamento físico. No entanto, eles afirmam que, como nenhum desses estudos foi revisado por pares, eles ainda precisam ser tratados com cautela.