Vacina de Oxford: voluntária que adoeceu não tomou placebo

Após mulher apresentar doença neurológica grave, testes com potencial imunizante contra covid-19 foram suspensos temporariamente

Vacina de Oxford é uma das mais avançadas

Vacina de Oxford é uma das mais avançadas

Divulgação/Oxford University

A voluntária britânica que desenvolveu uma doença neurológica grave durante os testes da vacina de Oxford/AstraZeneca recebeu o imunizante, e não placebo, informou o presidente-executivo da farmacêutica em conferência com investidores na quarta-feira (9).

Após o incidente, todos os estudos da vacina, inclusive no Brasil, foram suspensos temporariamente, até que uma comissão independente verifique se a doença da participante teve relação com a substância.

O site Stat News publicou detalhes das falas do executivo da companhia Pascal Soriot. Ele ressaltou que apesar de grave, a mulher já poderia receber alta hospitalar ainda ontem.

Ele apresentou um quadro de mielite transversa, uma doença inflamatória rara que atinge a medula espinhal. Os sintomas incluem fraqueza muscular, paralisia, dores e problemas na bexiga.

Soriot buscou, segundo o site, tranquilizar investidores em relação aos estudos da vacina.

"Uma vacina que ninguém quer tomar não é muito útil”, disse.

Não há previsão de quando a investigação do caso da voluntária será concluída, mas a empresa aposta que terá condições de tentar o registro da vacina junto aos órgãos reguladores ainda em 2020.

O governo federal, por meio da Fiocruz, fechou um acordo com a AstraZeneca para a compra de 100 milhões de doses da vacina e também de transferência tecnológica. O valor do contrato é de aproximadamente R$ 2 bilhões.