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Saúde Vacinação contra covid com doses diferentes gera debate na Itália

Vacinação contra covid com doses diferentes gera debate na Itália

Mudança ocorreu após morte de jovem com plaquetas baixas ao usar AstraZeneca; orientação é que 2ª dose seja de outra vacina

  • Saúde | Do R7

Órgão de saúde aponta que decisão de misturar vacinas é embasada em estudos

Órgão de saúde aponta que decisão de misturar vacinas é embasada em estudos

Soe Zeya Tun/Reuters - 07.06.2021

O uso de vacinas diferentes para completar a imunização dos italianos que receberam a primeira dose anti-covid da AstraZeneca virou tema de um debate na Itália nos últimos dias. Isso porque algumas regiões do país, especialmente a Lombardia, não concordam em misturar os imunizantes.

A polêmica teve início na semana passada depois que o Comitê Técnico-Científico (CTS), o Ministério da Saúde e o Comissariado para a Emergência da Covid-19 da Itália realizaram uma coletiva de imprensa para recomendar as doses da Vaxzevria, da Universidade de Oxford e AstraZeneca, somente para pessoas com 60 anos ou mais.

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A medida determina que, para quem tem menos de 60, o indicado é que seja aplicado as vacinas de mRNA usadas no país, da Pfizer/BioNTech ou Moderna. Já para aqueles que receberam a primeira dose da AZ, o CTS indica que a segunda dose também seja de imunizantes que usem o RNA mensageiro.

A mudança aconteceu depois que uma mulher de 18 anos morreu de um coágulo sanguíneo na quinta-feira (10) após receber uma dose inicial de AstraZeneca no dia 25 de maio. De acordo com relatos da imprensa italiana, a jovem sofria de trombocitopenia autoimune (o que significa que ela tinha uma contagem de plaquetas baixa no sangue) e estava em terapia hormonal dupla.

Após o caso, foi recomendado que todas as pessoas com menos de 60 anos que receberam uma dose inicial da AstraZeneca tomem uma vacina diferente para sua segunda dose, o que representa "um excesso de cautela", até porque estudos indicam que a relação risco/benefício é positiva e a vacina continua autorizada para toda a população, segundo as autoridades sanitárias.

Hoje (14), a decisão também recebeu o aval da Agência Italiana de Medicamentos (Aifa), porque a mistura dos imunizantes teve um aumento significativo da resposta de anticorpos. A aprovação foi feita "com base em estudos clínicos publicados nas últimas semanas".

Apesar disso, alguns governadores continuam resistentes e não começaram a respeitar a nova regra sobre a chamada vacinação heteróloga - utilização de uma segunda dose com uma vacina anti-Covid diferente da usada na primeira administração - em seus postos de vacinação.

A Lombardia chegou a suspender a campanha de imunização com vacinas diferentes da primeira dose. O governador da Campânia, Vincenzo De Luca, por sua vez, rejeitou a indicação e ainda afirmou que proibirá a imunização com a AstraZeneca.

"A vacinação heteróloga já é usada por países importantes como a Alemanha há várias semanas, mas também em outras áreas do mundo, e os resultados são animadores. Há alguns estudos que atestam que a resposta imunológica é ainda melhor do que que com duas doses da mesma vacina", defendeu o ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza.

Além de Speranza, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, também reafirmou a necessidade das regiões seguirem as recomendações pois são seguras e foram tomadas por causa da constatação de que somente uma a cada 100 mil pessoas que receberam a Vaxzevria podem desenvolver episódios tromboembólicos.

A nova medida do governo nacional também se justifica porque a Itália tem vacinas suficientes de mRNA, e a União Europeia não renovou a compra das doses da AstraZeneca.

Para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), todas as quatro vacinas anti-Covid aprovadas na Europa são válidas e não há nenhuma proibição referente ao uso da AstraZeneca pelo órgão regulador europeu.

"Todas as vacinas aprovadas pela EMA, incluindo a da AstraZeneca, mantêm uma relação risco-benefício positiva, especialmente em idosos e vulneráveis, por isso devem continuar a ser usadas", disse à ANSA o coordenador da força-tarefa de vacinas da EMA, Marco Cavaleri.

Segundo ele, para os jovens até agora vacinados com AstraZeneca e aguardando a segunda dose, "até o momento não há evidências que os casos de trombose estão associados à segunda dose". "Nas próximas semanas analisaremos os dados disponíveis e faremos um balanço das evidências. Até à data os dados preliminares são de bom presságio", concluiu.

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