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Saúde Vacinação evitou morte de quase 14 mil idosos acima de 80 anos

Vacinação evitou morte de quase 14 mil idosos acima de 80 anos

Universidade Federal de Pelotas fez estudo com base nos dados de mortalidade do Ministério da Saúde e comparou com imunizados 

  • Saúde | Do R7

Resumindo a Notícia

  • Vacinação de pessoas acima de 80 anos reduz mortalidade na faixa etária
  • 13.824 óbitos foram evitados por imunização, aponta estudo da UFPel
  • Pesquisa aponta que CoronaVac e Oxford têm eficácia contra variante amazônica
Vacinação evitou a morte de quase 14 mil idosos acima dos 80 anos

Vacinação evitou a morte de quase 14 mil idosos acima dos 80 anos

Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo - 29.3.2021

As vacinas contra a covid-19 começaram a ser aplicadas no Brasil no dia 17 de janeiro e em três meses evitou a morte de 13.824 idosos acima dos 80 anos. A conclusão foi de um estudo feito pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas) em parceria com a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. 

Os pesquisadores usaram como base os dados do Ministério da Saúde de número de mortos e de cobertura vacinal, de 3 de janeiro até 22 de abril, e comparou com os óbitos antes da campanha de vacinação. 

No ano passado, os idosos com mais de 80 anos representavam de 25% a 30% das mortes por covid-19. No mês de janeiro de 2021, esse índice chegou a 28% do total de óbitos causado pelo SARS-CoV-2.  Em abril, o percentual caiu para 13%, o menor registrado nessa faixa etária desde o começo da pandemia.

Os cientistas verificaram também a resposta positiva dos imunizantes CoronaVac e Oxford diante da variante P.1, surgida a primeira vez no fim de 2020, em Manaus. Uma vez que a cepa amazônica foi a predominante no país no período da pesquisa.

O estudo foi publicado no MedRxiv, site ligado à Universidade de Yale que distribui versões pré-publicação de artigos científicos sobre ciências da saúde. "O rápido aumento da cobertura vacinal entre idosos brasileiros foi associado a um declínio importante na mortalidade relativa em comparação com indivíduos mais jovens, em um ambiente onde a variante P.1 predomina", apontou os pesquisadores. 

O epidemiologista Cesar Victora, líder do estudo da UFPel, afirmou ao site da instituição que é a primeira pesquisa feita em um lugar com predimínio da mutação brasileira.

“Estudos têm demonstrado a associação entre vacinação e declínio no número de hospitalizações e mortes em populações como a de Israel, por exemplo. No entanto, até agora, nenhum dos estudos populacionais sobre mortalidade havia sido realizado em um cenário de predominância da variante P.1, como é o caso do Brasil”, diz o médico.

O nível de cobertura vacinal com a primeira dose alcançou 50% entre as pessoas acima dos 80 anos na primeira quinzena de fevereiro; 80%, na segunda quinzena de fevereiro, e ficou em torno de 95% em março.

A queda na mortalidade dessa faixa etária desde fevereiro é compatível com um efeito protetor da primeira dose das vacinas e eficácia ainda mais alto a partir da segunda dose.

A CoronaVac representou 77,3% dos imunizantes aplicados no período da pesquisa e a Oxford, 15,9%. 

Victora aponte que diante dos resultados positivos, a vacinação é a principal solução para conter a epidemia no Brasil. 

“Uma vez que medidas como distanciamento social e uso de máscara não estão sendo uniformemente aplicadas na maior parte do país, o rápido progresso da vacinação continua sendo a abordagem mais promissora para controlar a pandemia em um país onde mais de 400 mil vidas já foram perdidas para a covid-19”, finalizou o infectologista.

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