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Saúde Variante indiana não deve superar a amazônica no Brasil

Variante indiana não deve superar a amazônica no Brasil

Virologista acredita que, devido a características moleculares, variante não vai se sobrepor a amazônica, que já predomina aqui

  • Saúde | Carla Canteras, do R7

Variante indiana chegou ao Brasil com os tripulantes de navio vindo da Malásia

Variante indiana chegou ao Brasil com os tripulantes de navio vindo da Malásia

Reprodução RecordTV

A partir do momento em que o governo do Maranhão, na última quinta-feira (20), confirmou os primeiros casos de covid-19 a partir da variante indiana, o sinal de alerta ficou ainda mais forte entre os brasileiros. Surgiram preocupações como: será que vai acontecer como na Índia? Será que se espalhará como a cepa amazônica, que começou em Manaus e já é predominante no Brasil?

O virologista José Eduardo Levi, professor Instituto de Medicina Tropical da USP e chefe da Unidade de Biologia Molecular dos laboratórios Dasa, não acredita que essa nova variante consiga prevalecer sobre a P.1, como é chamada a cepa brasileira.

"Eu, particularmente, não tenho a percepção de que a cepa indiana vai sobrepor a P.1. Principalmente pelas características moleculares, acredito que ela não conseguiria se espalhar tanto, porque não creio que ela deslocaria a variante de Manaus", diz ele.

E, completa: "Não dá para dizer que a cepa daqui é mais forte. Porque o experimento para descobrir seria soltar as duas e ver qual se sobrepõe, o que não tem sentido. Mas, de acordo com as mutações apresentadas pela indiana, acho a nossa mais transmissível", alerta Levi.

Mesmo depois de a OMS (Organização Mundial da Saúde) definir a variante indiana como preocupante, ela não é apontada por especialistas como a principal causa de a Índia ter se tornado o epicentro da pandemia no mundo. Uma vez que a variação do Reino Unido ainda é predominante naquele país.

O virologista compara o surgimento da variação da Índia no Brasil ao aparecimento da britânica em dezembro de 2020, por aqui. "A variante inglesa é predominante no mundo Ocidental. Mas, de acordo com dados que temos no Laboratório Dasa, ela chegou ao Brasil em dezembro, e claramente foi sobrepujada pela amazônica. O nosso entendimento é que ela não cresceu como nos outros lugares do mundo, porque tínhamos o espaço ocupado pela P.1. Acredito que o fenômeno será igual com a variante indiana", conta Levi.

Como não deixar espalhar a variante indiana no Brasil?

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Os seis infectados pela variante indiana estavam no navio MV Shandong da Zhi. A embarcação saiu da Malásia, em 27 de março, passou pela Cidade do Cabo, na África do Sul, onde embarcaram 24 tripulantes.

O destino era o Porto da Madeira, em São Luís. Mas, um tripulante indiano, de 54 anos, sentiu os sintomas da covid-19 em 4 de maio e, no dia 15, foi confirmada a infecção, provocada pela variante indiana. Atualmente, a embarcação está parada a 35 km da capital do Maranhão e todos seguem a bordo cumprindo quarentena.

O pesquisador deixa claro que, independentemente da variante ser mais transmissível ou não do que a brasileira, a preocupação com o contágio deve existir e alguns cuidados devem ser seguidos.

"Ninguém que estiver no navio pode descer sem fazer o exame de PCR. Todos que tiveram contato com as pessoas infectadas ou que estiveram próximas desses doentes precisam ser testadas e acompanhadas", alerta o virologista.

Além disso, ele diz ser aconselhável fazer vigilância genômica na cidade. "Seria importante que fosse feita uma vigilância genômica nas amostras dos novos casos de São Luís. A intenção é ver se a variação pegou no lugar. O ideal é acompanhar nos próximos 30 dias uma fração dos casos da cidade", observa o especialista.

Os governos federal e estaduais estudam a possibilidade de criar barreiras sanitárias com a Índia e com São Luís. José Eduardo Levi diz que pode ser positivo, mas lembra que algumas medidas eficazes já deveriam ter sido implantadas.

"O controle de aeroportos é fundamental e já poderia estar sendo feito. Tanto em voos domésticos, quanto internacionais, os passageiros deveriam fazer PCR para embarcar. A pessoa faz o exame no lugar de origem, deu negativo, viaja e apresenta quando chegar no destino. Se tiver algum sintoma ou suspeita, faz PCR e toma os devidos cuidados", ressalta o professor da USP.

E finaliza: "Convém intensificar os cuidados dos voos da Índia, mas, minha percepção não importa muito em relação à variante indiana. Quem tem de se preocupar é quem vai receber viajantes do Brasil, que tem uma variante mais contagiosa", completa.

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