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Saúde Vírus da febre amarela se expande em direção ao litoral

Vírus da febre amarela se expande em direção ao litoral

Trilha dos macacos mortos pela doença mostra caminho do vírus e orienta vacinação. Doença já matou 53 no País desde julho do ano passado

Vírus da febre amarela se expande em direção ao litoral

Macacos são essenciais para a descoberta do vírus em uma determinada região

Macacos são essenciais para a descoberta do vírus em uma determinada região

Paulo Whitaker/Reuters - 10.01.2018

O vírus da febre amarela, que já provocou 53 mortes no País desde julho do ano passado, está se expandindo em direção ao litoral. Em São Paulo, são 36 mortes em decorrência da febre amarela desde janeiro de 2017.

A projeção é que atinja regiões de mata que ainda estão fora da área de risco da doença, como Vale do Paraíba e litoral paulista, nos próximos meses, segundo o virologista Celso Granato, professor de Infectologia da Escola Paulista de Medicina.

"Cada vez que há um surto de febre amarela no país, e os surtos acontecem a cerca de oito anos, a linha que o delimita vai ficando cada vez mais para a direita do mapa do Brasil”, explica.

De acordo com estudo da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) e Instituto Adolfo Lutz, o vírus teria partido da Amazônia, atravessado o Centro-Oeste e alcançando a Sudeste — Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo — por meio de cinturões verdes. O vírus da febre amarela é transportado pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes que vivem em regiões de mata. 

“Mairiporã e Atibaia, onde houve o maior número de casos no Estado de São Paulo, são regiões que apresentam continuidade de mata. Portanto, a população de macacos vai se deslocando, porque está morrendo e o mosquito vai trazendo a infecção para áreas onde não havia. No caso do deslocamento para o litoral, seria por meio da Mata Atlântica”, afirma Granato. 

A trilha do macaco e estudos como o do Sucen e Instituto Adolfo Lutz são o que orientaram a campanha de vacinação que tem início nesta quinta-feira (25) nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo Marcos Boulos, da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde, que tenta se antecipar aos novos focos de transmissão.

"A campanha de vacinação foi orientada por essa e outras pesquisas e também pelo circuito do macaco, que indica a circulação do vírus. Corremos para vacinar antes que haja caso humano. Começamos a antecipar o processo", afirma.

A campanha de vacinação fracionada, na qual uma dose padrão é desdobrada em cinco doses para alcançar um maior número de pessoas, preservando seu efeito, pretende imunizar 20 milhões de pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

De acordo com Granato, o auge da transmissão costuma ser no segundo trimestre do ano — que corresponde a março, abril e maio —, quando a época de chuva acaba, mas a temperatura continua elevada.

"Esse vírus se multiplica na natureza picando macacos e seres humanos. Se você não tem mais a população de macacos e os seres humanos estão vacinados, não terá como o vírus continuar se disseminando", explica.

Mairiporã concentra metade dos casos de febre amarela. Assista ao vídeo abaixo: