9 em cada 10 querem que Facebook remova publicidades enganosas

Relatório aponta que 77% dos usuários da América Latina consideram que rede social deve ser responsabilizada pela veracidade dos anúncios pagos

Facebook é considerado responsável por anúncios enganosos ou falsos

Facebook é considerado responsável por anúncios enganosos ou falsos

Johanna Geron/Ilustração/Reuters - 02.12.2019

O Facebook enfrenta crescente pressão para assumir a responsabilidade por publicidade política enganosa e outras informações falsas nos mercados latino-americanos, segundo o relatório “Evolution of Traditional Media in Latin America”, encomendado pela consultoria Sherlock Communications e divulgado nesta segunda-feira (29). 

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De acordo com o levantamento, três em cada quatro usuários (77%) da rede social no Brasil, no México, na Argentina, na Colômbia e no Chile acreditam que a rede social de Mark Zuckerbeg deve ser responsabilizada pela veracidade dos anúncios pagos publicados na plataforma.

Várias organizações ativistas, incluindo a Color of Change e a NAACP nos EUA, se mobilizaram para pedir aos anunciantes da rede social que interrompam os gastos com anúncios. A empresa está sendo pressionada também para lidar com as postagens racistas por meio da campanha Stop Hate for Profit (Pare o ódio pelo lucro, em tradução livre). 

Entre os entrevistados brasileiros, 86% querem que o Facebook verifique e remova ativamente a propaganda política que contém mentiras ou é deliberadamente enganosa. No Peru, 88% concordam e apoiam essa postura.

A pesquisa também revela que 33% dos latino-americanos acreditam, em média, que o Facebook, WhatsApp e Instagram representam uma ameaça para eleições democráticas e justas, enquanto cerca de 32% pensam que não.

"Os resultados mostram uma desconfiança consistente do papel do Facebook na publicidade política em toda a região em vários países com contextos políticos distintos", afirma Ryan Lloyd, professor visitante de estudos internacionais no Center College e especialista em política latino-americana.

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O Facebook foi criticado por sua recusa em regulamentar a publicidade que contém e espalha informações enganosas ou falsas, em muitos casos em torno de questões políticas e também de saúde pública, como no caso da pandemia de de covid-19.

A pesquisa revela também que 82% do público entrevistado discorda que limitar a a publicidade política no Facebook estaria limitando a liberdade de expressão. A iniciativa do Twitter de proibir publicidade política paga em sua plataforma, por exemplo, é apoiada por 81% dos entrevistados. 

“Os resultados da pesquisa refletem talvez uma maior dependência do cidadão, em geral, das notícias consumidas pelo Facebook e outras mídias sociais. Isso está impulsionando a demanda por mais transparência e controle. Os entrevistados também parecem considerar as repercussões na mídia sobre a influência do Facebook, por exemplo, nas eleições nos EUA e no Brexit”, diz Flávio Pinheiro, professor de ciências políticas da Universidade Federal do ABC,.

Os usuários latino-americanos também estão mais desconfiados com relação aos anúnicos que recebem em seus perfis. Devido às mentiras na publicidade política, 65% dos consumidores relatam ter menos probabilidade de confiar em outra publicidade do Facebook.

“O Facebook precisa encarar que a decisão de deixar as campanhas políticas enganosas se espalharem por uma questão de 'liberdade de expressão', simplesmente não é aceita pelos latino-americanos”, diz Patrick O'Neill, Managing Partner da Sherlock Communications. “Esse posicionamento está diminuindo a eficácia das propagandas no Facebook e a confiança na plataforma e em seu conteúdo. A mensagem do público é clara: é hora de assumir a responsabilidade e erradicar qualquer anúncio político enganoso e falso da plataforma", acredita.

A Pesquisa encomendada pela Sherlock Communications, conduzida pela Toluna Insights, realizou entrevistas online com 2.000 adultos representativos de idade e classe divididos igualmente nos cinco principais mercados da América Latina: Brasil, México, Argentina, Colômbia e Chile.
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