Conquista da Lua 45 anos
Tecnologia e Ciência A pegada mais famosa da humanidade completa 45 anos

A pegada mais famosa da humanidade completa 45 anos

Mesmo após tantos anos, ainda há quem não acredite que ela aconteceu

A pegada mais famosa da humanidade completa 45 anos

Pegada na lua Nasa

Pegada na lua Nasa

Divulgação/Nasa Goddard Photo and Video

Eu não era nascida quando a Guerra Fria — que se temia ser a prévia da terceira guerra mundial — se tornou uma corrida que levou o homem a um de seus objetivos ancestrais: ver o espaço. Agora completamos 45 anos desde a pegada mais famosa da humanidade: o primeiro passo de Neil Armstrong na Lua.

Gostaria de ter visto esse momento tanto quanto gostaria de ter visto as expressões e os sinais vitais da cadela cosmonauta Laika, ou Kudryavka (o primeiro ser vivo a orbitar a Terra), em novembro de 1957. Se alguém souber traduzir com exatidão o que ela sentiu, também gostaria de saber. Infelizmente, a pequena viajante não teve uma vida longa e próspera.

Como outros animais de teste, ela morreu para que aprendêssemos lições valiosas. Depois do voo de Laika, os russos criaram uma estratégia de reentrada na atmosfera e repensaram o isolamento térmico das cápsulas, já que a provável causa de morte da cadela foi o superaquecimento.

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Voltando aos 45 anos do homem na Lua, a disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética (na época) gerou a corrida espacial. Durante muito tempo, os cosmonautas soviéticos estiveram à frente nas conquistas. Foram eles que mandaram a Laika para o mais distante passeio de um cachorro e que colocaram Yuri Gagarin (primeiro homem no espaço) em órbita.

Por causa dessas conquistas, os Estados Unidos tiveram que correr e escolher uma meta grandiosa: a Lua. E correram mesmo. Entre o voo da Laika e a pegada de Armstrong foram menos de 12 anos. Às 9h32 EDT (10h32 no horário de Brasília) do dia 16 de julho, decolou o foguete que levava a a equipe (Neil Armstrong, Edwin Aldrin Jr. e Michael Collins) com a missão de pisar na Lua.

O que mais me impressiona não é tanto o passo na Lua, mas toda a tecnologia que precisou ser criada para isso acontecer. Não havia internet para pesquisar "como fazer um foguete" e assistir a centenas de vídeos no Youtube. Eles tiveram que pensar tudo do zero. Deve ter sido sensacional o exercício de imaginação e de correção de erros.

A frase de Armstrong — "Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade" — foi perfeita. Claro que está recheada de significados políticos, mas efetivamente marcou um ponto na história dos seres humanos. Não estávamos mais presos à nossa terra. Alcançamos o espaço.

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Você acredita que o homem foi mesmo até a Lua em 1969?

Até consigo entender o motivo de muitos não acreditarem que o voo à Lua aconteceu. Era necessário um esforço absurdo para isso acontecer. Ainda mais se compararmos com o que temos hoje. Os astronautas e cosmonautas se lançaram para fora da Terra com menos poder de processamento que temos em smartphones atualmente.

Eu estive ao lado de um Saturno V (foguete usado nas missões Apollo) e fiquei de boca aberta com o tamanho dos motores que impulsionam cada parte do lançamento. Se não foi verdade, eles tiveram mais trabalho para mentir do que para efetivamente voar.

De qualquer forma, Armstrong não foi o único a pisar na Lua — na mesma missão Edwin 'Buzz' Aldrin também passeou em solo lunar. E a Apollo 11 também foi a única missão a chegar à Lua. Mas a primeira é mais marcante.

Essa viagem que durou oito dias, três horas, 18 minutos e 35 segundos não foi um objetivo em si. Além de fincar a bandeirinha dos Estados Unidos na Lua, os astronautas usaram o módulo lunar para explorar cientificamente o território, coletaram amostras do solo, instalaram uma câmera de televisão para transmitir sinais para a Terra e um refletor de laser, ainda fizeram um experimento sobre a composição dos ventos solares.

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De lá para cá, a Guerra Fria acabou e os países que antes disputavam a corrida, hoje são parceiros. Grande parte das missões espaciais são feitas em colaboração entre Rússia e Estados Unidos, com apoio de vários outros países. Muito mais do que conhecer o universo, esse capítulo da história humana nos deu tecnologias que ajudam a conhecer melhor o nosso próprio planeta. Com a corrida espacial, foram lançados centenas de satélites que permitem a comunicação em terra, e que ajudam a monitorar o clima, prever chuvas e furacões.

Pessoalmente, eu achei a Apollo 13 mais tensa e com frases mais marcantes como "Houston, temos um problema" (Houston, we have a problem) e "o fracasso não é uma opção" (Failure is not an option). Mas isso é tema para uma outra comemoração de aniversário. Para o futuro, eu estou mais intrigada com as descobertas da sonda Voyager 1 (o primeiro objeto terrestre a deixar o sistema solar) e com os avanços da SpaceX em fazer foguetes reaproveitáveis que pousam na vertical.