Cliente de aplicativo de entrega é vítima de golpe e perde R$ 10 mil

Suposto erro no processamento o pagamento é usado como isca para que novas transações sejam realizadas no momento da retirada do pedido

Golpistas enganam vítimas e cobram milhares de reais no cartão

Golpistas enganam vítimas e cobram milhares de reais no cartão

Edu Garcia/R7

Durante o isolamento gerado pela pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas que estão em isolamento social em suas casas optam por serviços de entrega utilizando aplicativos de celular.

Essa facilidade, porém, está sendo usada por criminosos para aplicar golpes quando o cliente faz a retirada da encomenda na porta de casa.

A cliente Diana (nome foi trocado para preservar a identidade da vítima) foi uma das vítimas do golpe ao fazer um pedido pelo iFood.

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Ela recebeu uma ligação e ouviu de um suposto atendente todos os dados pessoais e do pedido corretamente. Em seguida, foi avisada sobre a necessidade de pagar a taxa de entrega separadamente por um problema no processamento do pedido. 

Após a ligação, duas motos estacionaram na porta de sua casa. Então, o entregador confirmou o erro no pagamento e cobrou o valor que estaria faltando. Diana afirma que a suposta falha na transação ocorreu duas vezes após digitar a senha do cartão.

"Eu só fui perceber o golpe 4 dias depois, quando fui usar o cartão e ele estava bloqueado, devido às duas compras, nos valores de R$ 4.004,99 e de R$ 5.994,99", conta a vítima. 

No caso de Diana, ela afirma que houve uma série de erros de segurança da empresa de cartões, que não a avisou das compras fora do habitual logo após elas serem realizadas, além de afirmar que, por ela ter colocado a senha, esta teria sido uma compra consensual. 

Após fazer o boletim de ocorrência na delegacia e ir ao Procon, Diana entrou em contato com o iFood, aplicativo responsável pela entrega, e relata que a empresa respondeu ser somente uma intermediária e que não seria responsável pela conduta ou pelo que quer que ocorra entre usuários, estabelecimentos ou entregador.

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De acordo com Fernando Capez, secretário de defesa do consumidor e diretor executivo do Procon-SP, foi requisitada a instauração de inquérito policial para investigar a quadrilha que está aplicando estes golpes, "já que se trata de um crime, não de prática abusiva".

O Procon notificou os aplicativos para que se expliquem. "Eles têm responsabilidade pelos atos praticados por aqueles que trabalham para eles, já que tanto entregador, quanto iFood e Rappi estão na cadeia de fornecimento do produto. Se não houver explicações razoáveis, eles serão multados", diz Capez.

O órgão pretende que três providências sejam tomadas: ressarcimento integral das vítimas do golpe, interrompimento dos pagamentos offline até o fim da pandemia e veiculação de alertas por todos os meios de comunicação para que as pessoas evitem este tipo de golpe.

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Procurado pelo R7, o iFood explicou que não poderia apurar internamente o ocorrido pelo fato de a vítima pedir anonimato à reportagem. A empresa diz que "repudia qualquer desvio de conduta por qualquer um dos usuários cadastrados na plataforma, sejam eles parceiros de entrega, estabelecimentos ou usuários finais" e que, caso seja comprovada condutas irregulares, "desativa os cadastros imediatamente, conforme expresso nos termos e condições."

A plataforma reforça que não é cobrada taxa adicional após o pagamento online. A orientação é questionar o entregador, recusar qualquer tipo de transação extra e entrar em contato com o iFood pelo chat do aplicativo. A empresa afirma também que em algumas cidades desativou o pagamento na retirada do pedido.  

Quem for vítima de um golpe, deve fazer um boletim de ocorrência, anexar um extrato bancário e comunicar a empresa pelo canais oficiais de atendimento.

O Procon-SP recomenda que a vítima de golpes também denuncie o caso sem sair de casa, acessando o site do órgão www.procon.sp.gov.br e clicando em "Faça sua reclamação", ou através do Instagram.

Diana ainda aguarda análise de suas denúncias por parte tanto do iFood, da operadora do cartão e do banco, quanto do Procon.