Como a pandemia pode ter ajudado no avanço da tecnologia cotidiana

Robôs e drones passaram a ser mais utilizados para diminuir o risco de contágio entre pessoas e até para combater o novo coronavírus

Avanços podem ajudar diversos setores da sociedade

Avanços podem ajudar diversos setores da sociedade

Montagem/RecordTV/DJI/Estadão Conteúdo/Reuters

A pandemia de covid-19 mostrou que os equipamentos eletrônicos são necessários para permitir uma rotina próxima da normalidade mesmo em isolamento social, seja para trabalhar, estudar, fazer compras ou se comunicar.

Durante os meses em que a doença se espalhou por diversos países, tecnologias pouco comuns no dia a dia foram testadas para ajudar a diminuir o número de casos e até para combater o vírus.

Os robôs, por exemplo, ganharam espaço durante esse período para substituir pessoas em tarefas de risco que poderiam resultar em uma contaminação.

Luís Lamb, professor da UFRGS (universidade Federal do Rio Grande do Sul) e membro do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), avalia que a robótica pode ser chave para evitar possíveis contaminações e reduzir a exposição dos humanos aos vírus e patógenos em geral.


Na área da saúde, as máquinas podem atuar na coleta de materiais descartados em hospitais, na limpeza e higienização de ambientes e até  no suporte emocional para paciente internados na UTI por meio de videoconferências com amigos e familiares.

Segundo Edson Prestes, professor da UFRGS e membro do IEEE, a automação de algumas tarefas pode complementar o trabalho de uma pessoa para diminuir o tempo de execução de uma tarefa ou a margem de erro. O professor explica que não deve ocorrer uma substituição do trabalho de pessoas de verdade por máquinas modernas.

"Os filmes passam uma ideia de que os robôs devem ser temidos, pois eles têm capacidades iguais ou melhores do que as nossas. Porém, os sistemas de inteligência artificial são muito limitados, conseguindo automatizar e dar apoio a algumas atividades, não substituindo uma pessoa”, afirma Prestes.

Drones

Os drones também ganharam destaque nos últimos meses. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Recife, esses equipamentos receberam caixas de som para enviar alertas e mensagens com recomendações para as pessoas na rua. Em alguns casos, um sistema de detecção de calor foi usado para encontrar aglomerações e até para medir a temperatura em busca de possíveis casos da covid-19.

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Para ajudar a desinfetar o matar o vírus que pode estar sobre superfícies ou pelo ar, pesquisadores da UFRGS modificaram drones utilizados para pulverizar lavouras e utilizaram a mesma capacidade para desinfetar áreas de grande movimento. Essa ação se espalhou e cidades do país, como Cuiabá (MT), São Paulo, São José dos Campos, Tremembé, Cruzeiro, Salesópolis, Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Osasco (SP) também fizeram a limpeza de ruas e praças com o aliado voador.

Além de manter tudo limpo, os drones podem diminuir o contato entre clientes e entregadores para reduzir as chances de contágio entre as duas parte.

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Levar pequenas encomendas pelo ar é algo muito aguardado e a pandemia foi o momento escolhido para realizar mais alguns testes, como no transporte de medicamentos e de insumos hospitalares em diversas partes do mundo, como na China e no atendimento de vilas isoladas em Madagascar, na África.

Nesse caso, apesar dos bons resultados, ainda não existe uma previsão para utilizar esse tipo de delivery em escala comercial.

Segundo o professor Lamb, tudo depende da aprovação de uma legislação que regule o voo dentro das cidades, para se evitar acidentes, seja com outras aeronaves, com fios elétricos ou com pessoas.

“Assim como a gente tem que avaliar o uso de remédios com segurança, o uso de qualquer tecnologia tem que passar pela garantia de preservação da vida, de não colocar as pessoa em risco de um acidente”, explica Prestes.

Futuro

Os especialistas explicam que a pandemia abriu espaço para o uso da tecnologia, mas também mostrou que o Brasil tem um gargalo estrutura que impede o acesso para parte da população

"Sem uma estrutura robusta e ampla de internet, muitos dos desenvolvimentos imaginados para o futuro próximo são impossíveis", explica o professor Edson.

Segundo dados da ONU, 42% da população brasileira não tem acesso à internet.
Edson ainda ressalta a necessidade de refletir sobre temas que são tratados como prioridade em diversos países: a transformação da internet em direito humano e a criação dos direitos humanos digitais.

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