Logo R7.com
RecordPlus
Tecnologia e Ciência

Federação Nacional dos Jornalistas pede regulamentação da IA após portal publicar reportagem com fontes fictícias

Entidade critica uso de ‘especialistas imaginários’ em reportagem sobre saúde

Tecnologia e Ciência|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Fenaj criticou a publicação de uma reportagem no site Giro10, que usou inteligência artificial para criar fontes fictícias.
  • O uso de "especialistas imaginários" na matéria foi considerado uma afronta aos princípios do jornalismo, comprometendo a credibilidade da profissão.
  • A Fenaj defende a regulamentação do uso da inteligência artificial no jornalismo para proteger a confiança do público e garantir a responsabilidade editorial.
  • A entidade incentiva jornalistas a pressionarem empresas de comunicação e o Congresso Nacional para priorizar a regulamentação da IA na área.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Homem usando computador
Federação afirma que uso de fontes inexistentes compromete a credibilidade Muhammad Umar/Pixabay - 30.01.2024

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgou uma nota em que critica a publicação de uma reportagem produzida com inteligência artificial no site Giro10, hospedado no portal Terra, que utilizou declarações atribuídas a especialistas inexistentes.

O texto, intitulado “Fibras em excesso: especialistas alertam para efeitos colaterais de tendência das redes sociais”, informava que havia sido produzido com o uso de inteligência artificial e continha “entrevistas simuladas” com personagens descritos como “especialistas imaginários” e “fictícios”. Entre eles estava o “nutricionista clínico imaginário Dr. Rafael Martins” e a “gastroenterologista fictícia Dra. Helena Costa”.


Para a Fenaj, o caso representa uma grave afronta aos princípios fundamentais do jornalismo ao reproduzir declarações de pessoas que não existem em uma reportagem sobre saúde apresentada ao público como conteúdo jornalístico. Em nota, a entidade afirmou que o episódio “parece uma piada pelo seu absurdo”, mas deve ser tratado “com absoluto rigor” devido às implicações para a credibilidade da profissão.

Veja Também

A entidade afirma que a utilização da linguagem e da estrutura jornalísticas para conferir legitimidade a fontes fictícias compromete a confiança do público na informação e coloca em risco princípios como a checagem dos fatos, a transparência e a responsabilidade editorial. Em nota, o portal Terra afirma que “assim que tomou conhecimento, retirou do ar o conteúdo.”


Além da preocupação com os impactos da inteligência artificial sobre os empregos e as condições de trabalho na área da comunicação, a Fenaj defende a criação de regras claras para o uso da tecnologia na produção de conteúdo jornalístico.

Na avaliação da entidade, a ausência de regulamentação para o uso da inteligência artificial no jornalismo entra em conflito com valores essenciais da atividade, como a credibilidade, a verificação independente dos fatos e o compromisso social de oferecer informações confiáveis à população.


A Fenaj afirma que pretende ampliar o debate sobre o tema e defende que jornalistas pressionem empresas de comunicação e o Congresso Nacional para que a regulamentação da inteligência artificial se torne uma pauta prioritária na defesa do trabalho jornalístico.

Confira na íntegra a nota do portal Terra:

A notícia em questão foi gerada pelo site Giro 10, que atuava dentro do programa de conteúdo associado do portal Terra.


Assim que tomou conhecimento, o Terra retirou do ar o conteúdo e, diante da gravidade do fato e da falta de rigor jornalístico do portal Giro 10, optou por remover todos os conteúdos do Portal Giro 10 da sua base de dados e encerrar imediatamente o contrato.

O Terra reafirma seu compromisso com a qualidade da informação, a transparência e a confiança de sua audiência, e enfatiza que está adotando medidas adicionais de supervisão para reforçar seus mecanismos de revisão e garantir o cumprimento das diretrizes editoriais e de uso responsável da tecnologia.

Leia a íntegra da nota da Fenaj:

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tomou conhecimento de um caso que parece uma piada pelo seu absurdo, mas que precisa ser tratado com absoluto rigor diante da gravidade de suas implicações para o exercício do jornalismo.

O site Giro 10, hospedado no Portal Terra, publicou a matéria “Fibras em excesso: especialistas alertam para efeitos colaterais de tendência das redes sociais”, acompanhada da informação de que o conteúdo foi produzido “com uso de Inteligência Artificial”. Ao longo do texto, a matéria informa que utiliza “entrevistas simuladas” com “especialistas imaginários” e “fictícios”. Entre os exemplos estão o “nutricionista clínico imaginário Dr. Rafael Martins” e a “gastroenterologista fictícia Dra. Helena Costa”.

Em outras palavras, a publicação reproduz declarações atribuídas a pessoas que simplesmente não existem. Trata-se de uma reportagem, apresentada ao público em um grande portal de notícias, sobre um tema relacionado à saúde, utilizando a linguagem e a estrutura próprias do jornalismo para conferir credibilidade a fontes inexistentes.

Infelizmente, esse não é um episódio isolado. Em 2024, a Editora Abril retirou do ar centenas de textos publicados no site Bebê, após a denúncia de que as matérias eram atribuídas a uma jornalista fictícia e continham trechos copiados de veículos concorrentes.

Para além da defesa dos empregos e dos direitos trabalhistas, ameaçados pela política de empresas que utilizam recursos de Inteligência Artificial para precarizar as condições de trabalho, a Fenaj entende que casos como esses evidenciam a urgência de estabelecer regras sobre responsabilidade editorial, transparência e limites éticos para a utilização de ferramentas capazes de gerar conteúdo a partir da coleta e do processamento de informações disponíveis na internet, sem qualquer responsabilidade com a veracidade das mesmas.

A ausência de qualquer tipo de regulamentação e a mera aceitação da IA como recurso válido para a prática jornalística conflitam diretamente com princípios básicos da profissão, como a credibilidade da informação, a checagem independente dos fatos e a responsabilidade social de divulgar informações úteis, confiáveis e verificáveis.

É urgente que a categoria participe desse debate e pressione as empresas e o Congresso Nacional para que a regulamentação da Inteligência Artificial se torne um tema central na defesa da credibilidade do jornalismo e do trabalho jornalístico.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.