Fungo asiático provoca extinção de 90 espécies de anfíbios em 50 anos

Equipe internacional de cientistas considera ser a maior perda de biodiversidade associada a uma doença na história do planeta

Fungo reduziu a população de mais de 500 espécies de anfíbios

Fungo reduziu a população de mais de 500 espécies de anfíbios

Wikimedia Commons

Uma equipe internacional de cientistas comprovou que o fungo Batrachochytrium dendrobatidis (Bd) provocou "a diminuição dramática" da população de mais de 500 espécies de anfíbios e a extinção de 90 nos últimos 50 anos.

A quitridiomicose é a doença causada pelo fungo citado e, segundo o estudo, publicado na revista "Science", é a espécie invasora mais destrutiva jamais conhecida no mundo, já que provocou a maior perda de biodiversidade associada a uma doença na história do planeta.

Até o momento, a América do Sul, a América Central e a Austrália são as regiões mais afetadas pela quitridiomicose, que já atinge espécies em mais de 60 países, segundo as notas enviadas à imprensa pela Universidade Nacional da Austrália, que liderou o estudo, e pelo Museu Nacional de Ciências Naturais de Madri.

O trabalho traz as informações existentes sobre a doença e põe ênfase na necessidade de regular tanto o comércio internacional de espécies como a biossegurança nas fronteiras, pois foram identificadas "muitas espécies que correm alto risco de extinção nas próximas duas décadas".

"Perdemos algumas espécies realmente assombrosas. Saber que espécies estão em risco pode ajudar a direcionar as pesquisas futuras para desenvolver ações de conservação", explicou Ben Scheele, pesquisador da universidade australiana.

Segundo o cientista, os seres humanos movimentam animais e plantas por todo o mundo, o que também provoca o trânsito de patógenos potencialmente perigosos para novas áreas. "A globalização e o comércio de espécies silvestres são as principais causas que permitem a continuidade da propagação desta pandemia mundial", acrescentou.

O fungo Bd é originário da Ásia, onde as espécies locais parecem não ser afetadas pela doença que ele provoca. Um estudo, publicado na "Science" no ano passado, constatou, graças ao sequenciamento de seu genoma, que sua origem está na Península Coreana.

Segundo Scheele, "trata-se de uma doença muito contagiosa que afeta a fauna silvestre e está contribuindo para a chamada sexta extinção em massa de espécies na Terra".

Eliminar o fungo de um ecossistema é algo bastante complicado, em parte porque há espécies que não são afetadas pela doença: "Por um lado, é bom que haja espécies resistentes, mas, por outro, isto significa que tais espécies carregam o patógeno e atuam como reservatórios permanentes do fungo", concluiu o especialista.