Tecnologia e Ciência Glitter usado no carnaval pode matar peixes se for jogado pelo ralo

Glitter usado no carnaval pode matar peixes se for jogado pelo ralo

Brilho feito de plástico e alumínio causa inanição naqueles animais que engolem as pequenas partículas que caem na água de rios, riachos e do mar

Brilho composto de plástico e alumínio polui e pode matar peixes

Brilho composto de plástico e alumínio polui e pode matar peixes

Pixabay

O glitter está presente em quase todos os itens do carnaval, desde os adereços das fantasias até as maquiagens usadas por mulheres e homens durante os dias de festa. O brilho é barato e causa um efeito bonito, mas pode não ser a melhor opção para quem se preocupa com o meio ambiente. 

"Os produtos que não são degradáveis são nocivos ao meio ambiente. O glitter tem na composição plástico e alumínio e leva muito tempo para se decompor na natureza, por isso é um contaminante", diz Rogério Machado, professor de química da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Retirado o produto durante o banho é a pior atitude do folião, segundo Rogério. "O brilho vai pelo ralo do banheiro até córregos e rios, onde pode ser engolido por peixes", explica.

O glitter é considerado um microplástico por ter apenas 5 milímetros de tamanho e, por isso, pode ser facilmente engolido por animais aquáticos, como peixes, ou filtrado por ostras e mexilhões. 

Glitter deve ser jogado no lixo comum para não afetar animais aquáticos

Glitter deve ser jogado no lixo comum para não afetar animais aquáticos

Marcelo Carnaval/Reuters - 16.01.2020

"Quando o glitter é ingerido por um peixe, por exemplo, causa a sensação de estar alimentando. Porém, o plástico não é digerido e pode causar inanição que, além de prejudicar o crescimento e a reprodução, pode levar o animal à morte", diz Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP.

O professor da USP explica que, em tese, o glitter poderia retornar ao ser humano após consumir um peixe contaminado, mas que pesquisas recentes não encontraram evidencias de que o plástico estaria fazendo esse caminho na cadeia alimentar.

A justificativa é que as viceras do peixe são retiradas antes da carne ser usada na cozinha, mas, no caso de mexilhões e ostras, que são consumidos inteiros, pode existir o risco de conter também pedações de plástico.

"Os microplásticos não são bioacumuláveis, ou seja, são excretados depois de um tempo. O risco maior é que o microplastico tem afinidade com outros poluentes que são bioacomulativos e que também são ingeridos por animais", explica o professor da Universidade Mackenzie.

Opção biodegradável

O plástico não é um vilão dependendo de como é utilizado por ser leve e resistente. O problema do glitter, segundo os especialistas, é o uso efêmero de um material que dura muito tempo na natureza. 

Existem receitas na internet e novos produtos que buscam um carnaval com um impacto ambiental menor. 

"O glitter biodegradável não é de metal é de mica, que um mineral que brilha quando exposto à luz. A cor vem de itens comestíveis, como o vermelho da beterraba", diz o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Algumas versões de brilhos ecológicos, usam como base uma gelatina chamada Agar produzida a partir de algas marinhas.

Nos dois casos, não há impacto para a vida aquática e não é considerado um contaminante. 

Como descartar o glitter tradicional

Se o glitter usado durante os blocos for o comum de plástico, a única maneira de diminuir as consequências do uso é evitar que seja retirado durante o banho.

"O glitter não é lixo orgânico e nem reciclável. O ideal é retirar com um lenço umedecido e jogado no lixo para ser levado para um aterro. O principal é não tirar no banho.", diz o professor da USP. 

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