Facebook
Tecnologia e Ciência MBL teria burlado sistema para impulsionar posts no Facebook

MBL teria burlado sistema para impulsionar posts no Facebook

Movimento Brasil Livre está sob suspeita de usar aplicativo Voxer para fazer postagens diretamente no perfil dos seguidores e aumentar visibilidade

Política na rede

Kim Kataguiri é um dos líderes do MBL, que 2,6 milhões de seguidores na rede

Kim Kataguiri é um dos líderes do MBL, que 2,6 milhões de seguidores na rede

Wikimedia Commons

Segundo reportagem publicada pela Mídia Ninja, nesta sexta-feira (30), o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo político criado em 2014, teria usado o aplicativo Voxer para ampliar o número de pessoas que recebem suas postagens no Facebook.

Do dia 16 a 24 de março, foi constatado que cerca de 400 usuários compartilharam postagens semelhantes com conteúdo do MBL. Eles teriam respondido a uma mensagem enviada aos seguidores pedindo autorização para o movimento fazer até duas publicações diárias diretamente no perfil, por meio do Voxer.

O aplicativo é um recurso que permite aumentar o número de usuários alcançados na rede social ao transformar uma publicação de uma página institucional em várias postagens de pessoas físicas. A empresa se autodenomina "a primeira plataforma de marketing político digital que fornece todas as ferramentas para transformar candidatos em eleitos".

A página do aplicativo na internet caiu pelo grande volume de acessos

A página do aplicativo na internet caiu pelo grande volume de acessos

reprodução

O aplicativo seria uma tentativa de burlar o novo algoritmo do Facebook anunciado por Mark Zuckerberg em janeiro deste ano. A mudança passou a privilegiar as publicações de amigos e familiares e a diminuir a exibição de posts de empresas e de veículos jornalísticos. A medida foi uma tentativa de barrar a propagação de fake news na internet.

O Facebook bloqueou o funcionamento da Voxer por violar os termos de uso determinados pela empresa. A informação não pode ser confirmada pelo R7

O R7 também tentou entrar em contato por telefone com Kim Kataguiri e com Renan dos Santos, coordenadores do MBL, mas nenhuma ligação foi atendida. O também coordenador Ian Novissimo disse que não poderia responder sobre as atividades nas redes sociais por não atuar diretamente na área. Foi solicitado um posicionamento por email, mas até o encerramento desta matéria não houve respota.

A página na internet do Voxer está fora do ar por causa do grande volume de acessos desde a publicação da reportagem. Também não possível entrar em contato com os diretores da empresa Neto Barni e Marcello Natale. 

Facebook e a privacidade

A rede social está sofrendo pressão para garantir a privacidade dos dados fornecidos pelos usuários. Há duas semanas, um ex-funcionário da consultoria britânica Cambridge Analytica denunciou que dados do Facebook foram recolhidos de forma irregular em 2014. Essas informações alimentaram um banco de dados para direcionar anúncios e postagens na internet. Os conteúdos teriam beneficiados Donald Trump na eleição presidencial de 2016.

Assim como no caso do MBL, foi usado um aplicativo dentro da rede social e para acessar os dados pessoais dos perfis. Depois que 270 mil pessoas concordaram com os termos de uso, foram obtidos os dados de 50 milhões de perfis.

A empresa perdeu credibilidade entre usuários e investidores desde a publicação da notícia. As ações caíram e iniciou-se um movimento para que perfis fossem deletados. O CEO da empresa tenta recuperar a imagem com pedidos de desculpas e anúncios de mudanças na estrutura da plataforma.