Tecnologia e Ciência Nasa lança com sucesso nave espacial para desviar asteroide

Nasa lança com sucesso nave espacial para desviar asteroide

Missão é um ensaio para caso a humanidade precise um dia impedir que uma rocha atinja a Terra

AFP
Foguete é lançado com o Teste de Redirecionamento de Asteroides Duplos, ou DART, a bordo

Foguete é lançado com o Teste de Redirecionamento de Asteroides Duplos, ou DART, a bordo

Bill Ingalls/AFP - 23.11.2021

A Nasa lançou na última terça-feira (23) à noite uma missão para colidir deliberadamente uma nave espacial contra um asteroide, um ensaio para caso a humanidade precise um dia impedir que uma rocha espacial gigante acabe com a vida na Terra.

Pode soar como ficção científica, mas o Dart (Double Asteroid Redirection Test) é um experimento real.

Com transmissão ao vivo da Nasa, o aparelho decolou às 22h21 do horário local de terça-feira (quarta-feira, às 3h21 de Brasília), a bordo de um foguete SpaceX a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

Seu alvo é Dimorphos, uma "lua" com cerca de 160 metros de largura, que orbita um asteroide muito maior chamado Didymos, de 780 metros de diâmetro. Juntos, eles formam um sistema que orbita o sol. "Asteroide Dimorphos, vamos atrás de você!", tuitou a Nasa após o lançamento.

O impacto deve ocorrer entre 26 de setembro e 1º de outubro de 2022, quando o par de rochas estará a 11 milhões de km da Terra, o ponto mais próximo que podem chegar.

"O que estamos tentando aprender é como desviar uma ameaça", disse o cientista-chefe da Nasa, Thomas Zuburchen, em uma coletiva de imprensa sobre o projeto de 330 milhões de dólares e o primeiro de seu tipo.

Para deixar claro: os asteroides não representam uma ameaça ao nosso planeta. Mas eles pertencem a uma classe de corpos conhecida como Objetos Próximos à Terra (NEOs, em inglês). São asteroides e cometas que se encontram a menos de 50 milhões de km do nosso planeta.

O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da Nasa está mais interessado em corpos maiores que 140 metros, já que eles têm o potencial de devastar cidades ou regiões inteiras com uma energia várias vezes maior do que bombas nucleares.

Há 10 mil asteroides conhecidos próximos à Terra com esse tamanho, mas nenhum tem uma chance significativa de impacto nos próximos 100 anos. No entanto, estima-se que apenas 40% desses asteroides foram encontrados até o momento.

Impacto a 24 mil km/h

Os cientistas podem criar impactos em miniatura em laboratórios e usar os resultados para criar modelos sofisticados de como desviar um asteroide, mas esses modelos são baseados em suposições imperfeitas, portanto, querem fazer um teste do mundo real.

A sonda Dart, que é uma caixa com o volume de um grande frigorífico e painéis solares do tamanho de limusines de cada lado, irá colidir com Dimorphos a pouco mais de 24 mil km/h, provocando uma pequena mudança no movimento do asteroide.

Cientistas dizem que estas rochas são um "laboratório natural ideal" para o teste porque os telescópios localizados na Terra podem medir facilmente a variação de brilho do sistema Didymos-Dimorphos e calcular o tempo que Dimorphos demora para dar uma volta completa ao redor de seu irmão maior.

Sua órbita nunca se cruza com o nosso planeta, o que proporciona uma forma segura de medir o efeito do impacto.

Andy Rivkin, chefe da equipe de pesquisas do DART, disse que o período orbital atual é de 11 horas e 55 minutos. A equipe espera que o impacto reduza em 10 minutos a órbita de Dimorphos. 

Há alguma incerteza sobre a quantidade de energia que o impacto irá gerar, pois se desconhece a composição interna e a porosidade da pequena lua. Quanto mais detritos gerar, mais impulso Dimorphos terá. "Cada vez que vamos rumo a um asteroide, encontramos coisas que não esperávamos", disse Rivkin. 

A nave espacial DART também contém instrumentos sofisticados de navegação e obtenção de imagens, entre eles o CubeSat, da Agência Espacial Italiana, que observará o impacto e seus efeitos posteriores.

A trajetória do Didymos também pode ser sutilmente afetada, mas não alteraria significativamente seu curso, nem poria em risco a Terra, segundo os cientistas.

Veja cinco curiosidades da missão da Nasa que será lançada nesta 4ª

Últimas