Pela 1ª vez, exoplaneta é observado diretamente e fotografado

Astrônomos do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, contaram com instrumento de alta precisão para localizar o Beta Pictoris c

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Planeta demora 28 anos para completar uma órbita ao redor de sua estrela
Wikimedia Commons

Astrônomos do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Garching bei München, na Alemanha, conseguiram, pela primeira vez, observar diretamente e fotografar um exoplaneta - isto é, um planeta localizado fora do Sistema Solar –, denominado Beta Pictoris c.

Para isso, os cientistas utilizaram um método chamado medição de velocidade radial. "Velocidade radial é a medida realizada com um efeito chamado doppler", afirma o coordenador do Observatório Didático de Astronomia da Unesp Bauru, Rodolfo Langhi.

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"À medida que a estrela ao redor da qual o planeta orbita se afasta ou se aproxima, é possível medir pequenas variações no espectro da luz da estrela. Essas variações podem revelar se há outros corpos orbitando a estrela, tal como um planeta", completa.

Até o momento, outros exoplanetas só puderam ser vistos indiretamente. No caso do WASP-189b, por exemplo, o método utilizado foi o chamado de trânsito. "Este método consiste em analisar a luz da estrela. Quando essa luz diminui, significa que um planeta passou na frente dela", explica Langhi.

Para localizar o Beta Pictoris c, os pesquisadores contaram com um instrumento chamado GRAVITY, presente no maior conjunto de telescópios do mundo – os VLT, (sigla para Very large telescope, em português, Telescópio muito grande), instalado no Chile.

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Combinando a luz dos quatro grandes telescópios VLT, os astrônomos conseguiram observar diretamente o brilho da luz proveniente do planeta perto de sua estrela.

"É incrível o nível de detalhe e sensibilidade que podemos atingir com o GRAVITY", disse o cientista-chefe do projeto GRAVITY, Frank Eisenhauer.

"Estamos apenas começando a explorar novos mundos impressionantes, desde o buraco negro supermassivo no centro de nossa galáxia até planetas fora do sistema solar", completou.

Os cientistas acreditam que, em um futuro distante, será possível calcular o brilho e a massa do Beta Pictoris c. Para isso, será necessário obter dados de velocidade radial suficientes – o que está longe de acontecer, visto que o planeta demora 28 anos para completar uma órbita completa ao redor de sua estrela.

"Para registrar esses dados, é preciso medir as posições que o planeta assume com o passar do tempo", afirma Langhi.

"Se um astro demora para sair do lugar, como é o caso do Beta Pictoris c, não é possível coletar muitos dados sobre ele, pois seu movimento é lento para nós, observadores. Demorará, portanto, muitos anos – mas menos que 28 – para coletarem dados suficientes para determinar com relativa precisão a massa do planeta."

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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