Tecnologia e Ciência Por que influenciadores felizes não são tão felizes assim?

Por que influenciadores felizes não são tão felizes assim?

Whindersson Nunes é mais um famoso que pede ajuda para superar a tristeza que acompanha o estrelato nas mídias digitais

Depressão Whindersson Nunes

Vida divulgada nas internet pode ocultar uma situação de profunda tristeza e angustia

Vida divulgada nas internet pode ocultar uma situação de profunda tristeza e angustia

Pixabay

As redes sociais fazem parte da vida de 139 milhões de brasileiros, segundo dados do We Are Social 2018. Os posts com fotos, vídeos e comentários sobre qualquer assunto são produzidos em grande volume por anônimos e famosos. Porém, a rotina feliz e luxuosa na internet nem sempre retrata a vida real dos donos dos perfis.

Anitta, Paula Fernandes, Selton Melo e Pedro Bial são alguns dos famosos que revelaram casos de depressão. Na última sexta-feira (12), o youtuber Whindersson Nunes assumiu o problema e deixou os fãs surpresos. O bom humor e as sacadas inteligentes escondia uma situação de tristeza profunda.

O jovem de sorriso largo fez uma sequência de 16 tweets revelando a angustia que sentia. A fama e o sucesso não estariam substituindo a convivência com pessoas queridas.

Sinais de problemas

A neuropsicanalista Priscila Gasparini Fernandes afirma que as postagens nas redes sociais podem dar sinais de que existe um problema de saúde.

"A pessoa com depressão pode intercalar postagens de muita felicidade com momentos de desabafo. Essa oscilação de humor e de sentimentos pode ser o sinal de um pedindo ajuda", afirma Priscila.

A psicóloga diz que a depressão pode surgir em momentos de muito estresse e de pouco lazer. A falta de uma válvula de escape para aliviar a pressão do dia a dia e de convívio com amigos e familiares pode ter como resultado a doença.

O desafio da vida online

O ambiente virtual é muito hostil, onde um algoritmo determina quem deve ter mais visibilidade nas plataformas digitais.

"Viver da internet é muito difícil. A mídia como um todo está saturada e, mais complicado do que se tornar um influencer, é se manter nessa posição", afirma Tiago Sousa, professor do curso de Mídias Sociais Digitais da Faculdade Belas Artes.

O professor explica que existe uma luta entre a produção de publicações e os algoritmos das diversas redes sociais. "Os profissionais dessa área precisam produzir conteúdo com relevância e que tenham engajamento entre os seguidores para ter um alcance maior", diz Sousa.

Pressão por ser feliz 

A pressão por cada vez mais postagens, mais vídeos, mais fotos e mais detalhes sobre a vida pessoal das estrelas pode transformar a fama em algo prejudicial à saúde.

"Existem estudos que mostram que os likes nas redes sociais estimulam os neurotransmissores do prazer. Assim, a internet funciona como um vício semelhante ao uso de drogas", explica a neuropsicanalista

Os anônimos que buscam a fama e o dinheiro por meio das redes sociais também sofrem para conseguir o seu espaço. A nova carreira pode começar a partir de um post simples que viraliza e leva um desconhecido ao estrelado, mesmo que as vezes por um curto período de tempo. O fracasso é algo comum na internet, mas não é exibido com o mesmo espaço que o sucesso.

"As pessoas acreditam que ser influência é um jeito fácil de ganhar dinheiro, mas existe muita pressão por resultado, a vida não para nunca e as relações interpessoais são muito superficiais", afirma o professor.

Uma das queixas do humorista foi justamente sobre as pessoas que estão ao seu redor tentando ganhar vantagem em cima do seu sucesso.

A psicóloga diz que muitas vezes a equipe de marketing do famoso pode esconder a depressão em posts sempre felizes em momentos de glamour. Porém, pode ser notadas oscilações de humor que indicariam ser a própria pessoa fazendo publicações no perfil.

A falta de informação sobre a depressão e a busca por ajuda médica podem agravar a situação.

"Quanto mais cedo a depressão for diagnosticada, mas rápido é o tratamento. Em casos considerados de nível leve, o tratamento pode durar alguns meses. Em casos moderados e graves, o tratamento leva no mínimo um ano e com medicamentos", diz Priscila.