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Tecnologia e Ciência Primatas mudam de sotaque para se comunicar, revela estudo

Primatas mudam de sotaque para se comunicar, revela estudo

Micos-roxos e micos-malhados emitem sons semelhantes quando estão no mesmo território para conseguirem interagir

Estudo analisou 15 grupos de micos-roxos e micos-malhados

Estudo analisou 15 grupos de micos-roxos e micos-malhados

Reprodução/Tainara Sobroza

Uma equipe de pesquisadores de diferentes países fez um estudo que constatou que os macacos alteram o sotaque para melhorar a comunicação quando estão em contato com espécies diferentes de primatas. Os resultados foram publicados na revista científica Behavioral Ecology and Sociobiologys.

Os cientistas analisaram 15 grupos micos-malhados e micos-roxos, duas espécies de primatas que habitam a Floresta Amazônica brasileira. Essas duas espécies de macacos estão ameaçadas de extinção e podem ser encontrados em pequenas áreas da cidade de Manaus e na região nordeste da Amazônia.

As pesquisas constataram que os micos-malhados e roxos mudam os sons que emitem para que as duas espécies consigam interagir melhor quando estão em um território compartilhado.

“Quando grupos de micos se movem rapidamente ao redor da floresta amazônica madura, às vezes pode ser difícil distinguir as espécies, mas durante nossa pesquisa ficamos surpresos ao descobrir que eles também soam iguais nas áreas da floresta em que coabitam”, destacou Tainara Sobroza, autora principal do estudo e membra do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em comunicado divulgado pela Anglia Ruskin University.

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Tainara e os outros pesquisadores analisaram o perfil acústico de micos-roxos e micos-malhados em locais habitados exclusivamente por cada uma das espécies e também em um território onde elas coexistem.

“Como essas espécies de micos dependem de recursos semelhantes, mudar seus sotaques dessa forma provavelmente ajudará esses minúsculos primatas a se identificarem mais facilmente na floresta densa e, potencialmente, evitar os conflitos”, afirmou o Dr. Jacob Dunn, professor de Biologia Evolutiva da Anglia Ruskin University e co-autor do estudo.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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