Tecnologia e Ciência Saiba como se proteger contra raios durante as chuvas neste verão

Saiba como se proteger contra raios durante as chuvas neste verão

Brasil é o país com maior incidência de descargas elétricas no mundo — só no ano passado, foram registradas 144 milhões

Pelo menos 100 brasileiros morrem anualmente atingidos por um raio

Pelo menos 100 brasileiros morrem anualmente atingidos por um raio

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No país com a maior incidência de raios no mundo — só no ano passado, foram registrados 144 milhões, segundo dados do ELAT (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) —, pelo menos 300 brasileiros são atingidos anualmente por uma descarga elétrica. Destes, 100 morrem.

Os cuidados, claro, devem prevalecer durante o ano todo — mas merecem uma atenção especial no verão, quando a incidência de raios é consideravelmente maior. Para se ter uma ideia, em uma única tempestade, que atingiu a cidade de São Paulo em 25 de janeiro deste ano, foram registrados 720 raios, mais de sete vezes o que seria considerado normal.

"Isso se deve ao fato de que, nesta época do ano, há uma maior propensão a formação de nuvens que produzem eletricidade, e consequentemente, tempestades", afirma o meteorologista e coordenador de operações do SIMEPAR (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambinetal do Paraná), Marco Antônio Jusevicius.

De acordo com Jusevicius, a orientação básica de proteção contra raios é se isolar por completo do ambiente externo — isto é, se abrigar em um local com proteção para-raio ou um automóvel, que deve estar sempre com as janelas e portas fechadas.

"Existe um fenômeno físico chamado Gaiola de Farady que demonstra, basicamente, que quando uma superfície metálica totalmente fechada é atingida por uma descarga elétrica, essa carga não consegue passar para dentro e em seguida, é escoada para o solo", diz. "A única possibilidade de uma pessoa dentro de um automóvel ser atingida por um raio é se houver alguma fresta."

O meteorologista ressalta ainda que, ao contrário do que se pensa, os pneus não são os responsáveis por repelir os raios — apesar de a borracha sendo um isolante térmico, o material não é capaz de isolar o automóvel por completo. Por esse motivo, andar de moto ou bicicleta em dias de tempestade está totalmente fora de cogitação, assim como ficar em ambientes descampados, como praias e campos.

Verão na praia

"O mar talvez seja um dos ambientes mais perigosos em dias de tempestade. Primeiramente, porque se está exposto ao ambiente. E em segundo lugar porque, pelo fato de ter muito sal, a água do mar conduz muito mais facilmente eletricidade do que água tratada", afirma.

"Campos também são extremamente perigosos. É muito comum ouvir que não se deve em hipótese alguma permanecer embaixo de árvores durante tempestades, e é verdade. Uma árvore é a maior estrutura que há em um ambiente descampado, então, naturalmente, ela se torna um ímã", completa.

Vale mencionar ainda que não se deve, em hipótese alguma, mexer em dispositivos eletrônicos que estejam ligados a uma tomada ou tomar banho durante tempestades. Os raios podem ocasionar um surto no circuito elétrico, e consequentemente, um choque.

Como agir diante de um acidente com raio?

Segundo o especialista, ao contrário do que se pensa, uma pessoa atingida por um raio não fica "eletrificada", podendo ser tocada tranquilamente sem provocar um choque elétrico em outra.

"A única possibilidade de alguém encostar em uma pessoa que foi atingida por uma descarga elétrica e levar um choque é se ela estiver segurando um cabo elétrico", afirma. "Muitas vezes, as pessoas, por medo, acabam não socorrendo, mas é de suma importância agir rapidamente para evitar que a pessoa sofra sequelas."

De acordo com o Jusevicius, quando uma pessoa é atingida diretamente por um raio, as chances de sobrevivência são praticamente nulas. Já quando a descarga elétrica é indireta — isto é, cai a uma distância de até algumas centenas de metros da vítima —, a maior probabilidade é de que ela sobreviva, mas desenvolva sequelas em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Estas podem incluir sobretudo problemas neurológicos, como dormência, paralisia e confusão mental, e a longo prazo, depressão, perda de memória duradoura e outros comprometimentos cognitivos graves.

"Se houver por perto um médico ou algum outro profissional de saúde que saiba realizar corretamente uma reanimação cardíaca, ele deve agir imediatamente. Caso não haja, a vítima deve ser encaminhada para um hospital o mais rápido possível", diz.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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