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Tecnologia e Ciência Uso mundial de recursos naturais triplicou desde 1970, segundo ONU

Uso mundial de recursos naturais triplicou desde 1970, segundo ONU

Extração de materiais é responsável por 90% da perda da biodiversidade e pela metade dos impactos climáticos no planeta

Uso mundial de recursos naturais triplicou desde 1970, segundo ONU

Uso dos recursos naturais triplicou no mundo desde 1970, diz ONU Meio Ambiente

Uso dos recursos naturais triplicou no mundo desde 1970, diz ONU Meio Ambiente

Pixabay

O uso dos recursos naturais triplicou no mundo desde 1970, uma tendência que segue em alta e deve ser "crucial" nas políticas ambientais, segundo um Relatório de Recursos Globais apresentado nesta terça-feira (12) em Nairóbi pela ONU Meio Ambiente.

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"Em um mundo no qual todos estamos conectados, as nossas responsabilidades aumentam e o enfoque nos recursos é crucial", explicou Janez Potocnik, porta-voz do Painel Internacional dos Recursos, no marco da IV Assembleia de Meio Ambiente da ONU (UNEA-4), realizada até sexta-feira (15) em Nairóbi.

Este grupo científico de especialistas, patrocinado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), também conhecido como ONU Meio Ambiente, tem como objetivo ajudar as nações a utilizar seus recursos naturais de uma maneira sustentável, sem comprometer o crescimento econômico e as necessidades humanas.

Na última metade de século, a população mundial duplicou - com previsão de chegar aos 9,3 bilhões de habitantes em 2050 - e a extração de materiais triplicou, um processo responsável por 90% da perda da biodiversidade e pela geração da metade dos impactos climáticos, segundo o relatório.

"Se não forem levados em conta os recursos, será muito difícil atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS, da ONU). Podemos fazer melhor, mas temos que empreender ações rapidamente e de maneira contundente", afirmou Bruno Oberle, autor do relatório e acadêmico na Ecole Polytechnique Federale de Lausanne (EPFL) da Suíça.

Estas conclusões foram anunciadas aos veículos de imprensa como parte do UNEA-4, um evento que reúne representantes de 193 países, incluídos chefes de Estado e ministros, para tratar temas como o plástico, os resíduos, os químicos, a poluição e o direito meio ambiental, entre outros muitos.

No texto também ficou enfatizado que o modelo atual do uso de recursos representa um "impacto negativo no meio ambiente e na saúde humana".

Além disso, o relatório ressalta como os lucros econômicos da exploração de recursos são repartidos de maneira desigual entre países e regiões, elevando a desigualdade entre nações ricas e outras em desenvolvimento.

Para Oberle, a chave está em buscar "soluções inteligentes" e investir e inovação e novas tecnologias, de maneira que o crescimento seja "mais lento, mas superior".

Este especialista também propôs algumas alternativas para avançar para este processo, como aumentar os impostos sobre os recursos naturais, de maneira que estes se encareçam, aplicar um imposto sobre as emissões de CO2, campanhas que façam referência ao comportamento dos consumidores ou que protejam a paisagem.

"Aqueles que tomam as decisões, têm ferramentas para atuar, como são a busca de um uso eficiente dos recursos, a mitigação do aquecimento global, a proteção da diversidade e uma mudança na alimentação humana", se assinala no texto.

O relatório faz especial insistência na alimentação, já que, segundo disseram os especialistas, uma grande quantidade de comida termina todos os anos no lixo "enquanto pessoas morrem de fome", e encorajou os cidadãos a "optar por dietas baseadas nas verduras".

A Assembleia da ONU para o Meio Ambiente é o principal órgão de tomada de decisões sobre temas ambientais no mundo todo e reúne-se a cada dois anos para estabelecer as prioridades para políticas globais e desenvolver o direito ambiental internacional.

A UNEA foi criada em 2012 durante a realização da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas no Rio de Janeiro (Brasil), mais conhecida como Rio+20.

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