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RS teve prejuízo de R$ 41 bilhões na agricultura por desastres naturais nos últimos 3 anos

Dados da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil apontam que os danos representam 79% do prejuízo no setor privado

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília


Há 20 dias o estado gaúcho enfrenta alagamentos (MISTER SHADOW/ESTADÃO CONTEÚDO)

Nos últimos três anos, o Rio Grande do Sul registrou um prejuízo de R$ 41,25 bilhões no setor agrícola em razão de desastres ambientais no estado, mostra o levantamento da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. O índice, referente aos anos de 2021 a 2023, representa um rombo de 79,79% no setor privado no período. Os dados apontam que os prejuízos foram causados principalmente pela seca e chuvas intensas.

No Brasil, o agronegócio representa aproximadamente 25% do PIB (Produto Interno Bruto)— a soma de todos os bens e serviços finais feitos. O Rio Grande do Sul, um dos estados que mais produzem no setor, tinha uma previsão de crescimento de 46,4% na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para este ano, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além do destaque na produção agrícola, o RS ocupou a terceira posição entre os estados que mais abateram frangos e suínos em 2023. Foi também o quarto maior produtor de ovos e o quinto entre os produtores de leite.

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Os índices foram fornecidos por um programa criado pelo Banco Mundial e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A pecuária ocupa o segundo lugar entre os setores mais afetados por desastres naturais no estado gaúcho, com um prejuízo estimado de R$ 8,62 bilhões.

No período, o setor privado, que também engloba indústria, comércio e serviços, registrou uma perda de mais de R$ 50 bilhões. O setor público também foi afetado por desastres naturais, com um prejuízo estimado de R$ 779 milhões. Abastecimento de água, ensino, esgotamento sanitário, limpeza e reciclagem os setores mais atingidos.

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Um levantamento parcial feito pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) estima um prejuízo superior a R$ 10 bilhões no estado, sendo R$ 2,3 bilhões no setor público, R$ 3,1 bilhões no setor privado e R$ 4,6 bilhões no setor habitacional. Os dados, informados pelos municípios, também abrangem um dano de R$ 2,3 bilhão na agricultura e R$226 milhões na pecuária.

A FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) informou que quase 95% das atividades industriais foram prejudicadas pelas enchentes. O estudo preliminar, que inclui 447 municípios, aponta que o Vale dos Sinos, Metropolitana, Vale do Taquari e Serra foram as regiões com maior atividade industrial potencialmente atingidas em relação ao Valor Adicionado Bruto.

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Consequências climáticas

Além das enchentes em 2023, o Rio Grande do Sul também sofreu com períodos de estiagem. Entre 2003 e 2021, a região enfrentou de 8 a 10 períodos de seca, informou a Emater do RS. A condição que atingiu os estados do sul do país na safra de 2021/2022 reduziu a produção de soja em 403 milhões de sacas, por exemplo, representando um prejuízo de US$ 14,9 bilhões, segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

No ano passado, os produtores gaúchos enfrentaram novos problemas com a deficiência hídrica na região. Apenas os municípios da região Sul registram uma perda de R$ 1,83 milhões na safra 2022/2023.

Dados da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil apontam que entre 2021 e 2023, as secas causaram um dano de R$ 44 bilhões no estado, um valor acima quando comparado com as chuvas, com danos de R$ 5 bilhões.

Os problemas climáticos, não só no Rio Grande do Sul, como em todo país, trouxeram consequências diretas na safra deste ano. Segundo o IBGE, a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas em fevereiro totalizou 300,7 milhões de toneladas em 2024, número 4,7% menor (14,7 milhões de toneladas) do que a safra obtida em 2023. O instituto informou que a redução pode ser explicada pelos eventos climáticos que aconteceram no país, como as chuvas no Sul no ano passado.

Importação de arroz

Na quarta-feira (15), o governo federal publicou uma portaria com as definições dos parâmetros para a importação de arroz. Nessa primeira fase, poderão ser adquiridos 104 mil toneladas do produto, que serão destinadas à venda para pequenos varejistas e equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional das regiões metropolitanas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará e Ceará.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor do principal alimento do prato brasileiro — responde por cerca de 70% do total de arroz no país. Para este ano, a expectativa é colher 7,47 milhões de toneladas, segundo a Conab. Apesar de a colheita ter terminado em abril na maioria das lavouras, o produto deve ser o mais afetado.

Rio Grande do Sul

Há 20 dias o estado gaúcho enfrenta chuvas e alagamentos em mais de 400 municípios. Segundo informações divulgadas pela Defesa Civil na manhã deste sábado (18), 155 mortes foram confirmadas, 94 pessoas estão desaparecidas, 540.188 desalojadas e supera 2 milhões o número da população afetada.

A catástrofe também afetou o abastecimento de veículos e serviço de comunicação, energia e água. Segundo a Defesa Civil e o Ministério de Minas e Energia, 207 mil casas estão sem eletricidade, 117.586 pessoas seguem sem o abastecimento de água e 3 municípios estão prejudicados pela falta de serviços de telefonia.

Em relação à infraestrutura, o governo gaúcho informou que são 87 trechos em 47 rodovias com bloqueios totais e parciais, entre estradas e pontes. A Secretaria de Logística e Transportes do RS disponibilizou rotas alternativas para determinadas cidades, e o mapa pode ser acessado pelo site do governo local.

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