Internacional

14/2/2013 às 17h09

Primeiro-ministro tunisiano renunciará se proposta de governo for rejeitada

O primeiro-ministro da Tunísia, Hamadi Jebali, confirmou nesta quinta-feira que renunciará caso sua proposta de formar um governo apolítico para sair da crise for rejeitada no sábado.

"Sábado anunciarei a formação do governo e, se ele for rejeitado, apresentarei minha renúncia ao presidente" Moncef Marzuki, declarou à imprensa.

Jebali indicou que se reunirá nesta sexta-feira com todos os partidos, afirmando que levará esta iniciativa até o fim. Ele reiterou que todos os ministros serão independentes dos partidos e deverão se comprometer a não se apresentar como candidatos nas próximas eleições.

Os islamitas do Ennahda, partido de Jebali, convocaram para sábado uma grande manifestação em Túnis para defender sua "legitimidade" para dirigir a Tunísia, enquanto o país está mergulhado no mais grave conflito político desde a revolução de janeiro de 2011.

Jebali tenta, desde a onda de violência provocada pelo assassinato do opositor de esquerda Chokri Belaid, em 6 de fevereiro, formar um gabinete de tecnocratas, apesar da oposição de seu partido e do Congresso para a República (CPR), formação laica de Marzuki.

Em contrapartida, o primeiro-ministro é apoiado pelo Ettakatol, o partido do presidente da ANC Mustapha Ben Jaafar, membro da coalizão governista, por opositores laicos, a União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), um poderoso sindicato, e pelo patronato.

A Assembleia Nacional Constituinte (ANC), que debate sobre a crise política, foi palco de discussões acirradas sobre o governo apolítico proposto por Jebali.

Sahbi Attig, chefe do bloco parlamentar do partido islâmico, considerou que o 6 de fevereiro foi marcado por "duas catástrofes, o assassinato e a decisão do Sr. Jebali".

Já Beji Caïd Essebsi, um ex-primeiro-ministro pós-revolucionário e líder de um partido de oposição, declarou à AFP, após uma reunião com Jebali, ter visto um "homem responsável e determinado a tirar o país da crise".

"Esperamos o sucesso da iniciativa, porque não há alternativa", afirmou.

Mas o Ennahda, o Congresso para a República (CPR, laico) do presidente Moncef Marzuki, o movimento Wafa (laico) e o bloco Liberdade e Dignidade (islamitas independentes) anunciaram a preferência por um governo com políticos e tecnocratas.

Eles totalizam 125 cadeiras de um total de 217, enquanto Jebali pode ser censurado em seu projeto com 109 votos negativos. Mas o primeiro-ministro pode contar, de acordo com a imprensa local, com membros do Ennahda que apoiam a sua iniciativa.

O presidente Moncef Marzuki tem estado em silêncio sobre a proposta de Jebali, mas foi o primeiro a citar a proposta após a violência na cidade de Siliana, no final de novembro.

Além desta crise, a elaboração da Constituição foi interrompida devido à falta de acordo sobre a natureza do futuro regime. Jebali ressaltou que sua proposta também se destina a acelerar o trabalho de organizar eleições o mais rápido possível.

Os conflitos sociais, muitas vezes violentos, se multiplicam em um contexto de miséria e desemprego, questões que provocaram a revolução contra o presidente Zine El Abidine Ben Ali. Sem esquecer do movimento salafista jihadista que desestabiliza regularmente o país com seus ataques.

Dezenas de militantes do partido islamita Hizb Ettahrir manifestaram nesta quinta-feira em frente à embaixada da França em Túnis para denunciar as declarações do ministro francês do Interior, Manuel Valls, que evocou um "fascismo islamita" após o assassinato de Belaïd.

Mais de uma semana depois de seu assassinato, nenhum avanço da investigação foi anunciado, enquanto parentes da vítima, um anti-islâmico, acusam o Ennahda de ser responsável pela sua morte.

kl-alf/vl/mr

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