Em busca de boas histórias, projeto revela casos de traição, assassinatos e até a suposta prisão de Lula

Fale Com Estranhos desnuda vida de brasileiros anônimos falando apenas para uma câmera 

Ana Ignacio, do R7

Histórias de gente comum: Angelo, o rapaz que nega as tentações da carne para ser fiel à mulher; Galvão, o homem que diz ter prendido o ex-presidente Lula; e Nayara, que descobriu que o namorado saia com várias mulheres Divulgação

"Quem é você?" Com essa pergunta, a jornalista Adriana Negreiros inicia a conversa de cerca de 15 minutos com um voluntário que passa pela rua e decide encarar a câmera comandada pelo diretor de arte Daniel Motta. A pergunta simples – apesar de poder levar a uma reflexão profunda sobre a vida – conduz a pauta e o objetivo principal é conseguir uma boa história. O desafio, por sua vez, é convencer as pessoas a atenderem ao convite escrito no cavalete posicionado próximo ao equipamento de filmagem. “Olá, venha aqui e fale com estranhos”.

Desde setembro deste ano, muitos atenderam ao pedido. A busca por depoimentos começou na capital paulista e, desde o início de novembro, é possível conferir na internet, diariamente, as histórias daqueles que se abriram para a dupla de desconhecidos. No projeto, intitulado Fale com Estranhos, a iniciativa em falar tem que partir dos entrevistados, como explica Adriana.

— A gente não convida ninguém. São elas que nos escolhem. A gente fica em algum ponto público. Temos três banquinhos, um fica vazio, e o cavalete. A gente fica aguardando as pessoas se apresentarem. Eles se voluntariam.

Adriana e Daniel pretendem percorrer o Brasil em busca de boas histórias Maqui

A iniciativa da dupla nasceu de um projeto de Daniel Motta que possuía a mesma essência.

— Era o Me dê um Conselho. Eu levava uma urna para diferentes pontos da cidade e pedia para as pessoas escreverem conselhos e compilava esse material e publicava no site. A essência é praticamente a mesma. Conversar com pessoas na rua.

Após alguns anos de trabalho em importantes publicações nas quais entrevistou celebridades do mundo político e do entretenimento, Adriana conta que ela e Motta passaram a sentir a necessidade de falar com “gente comum” e abordar questões mais corriqueiras do dia a dia.

— Acontece de a gente ter muita curiosidade pelas pessoas que passam por nós. Para onde ela vai? Quem ela é? É uma curiosidade pelas pessoas desconhecidas e sinto que estávamos carentes de realidade.

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E o resultado dessa interação com a vida real tem sido empolgante. Para Motta, o que mais tem impressionado nesse projeto é a disposição das pessoas em falar coisas íntimas para pessoas totalmente desconhecidas. Entre os temas “espinhosos”, destacam-se relatos de traições e até mesmo um depoimento em que um entrevistado contou que matou um homem esfaqueado.

— Eu tenho impressão de que as pessoas estão muito carentes, elas precisam conversar. Essa coisa dos tempos modernos. Você não interage com essas pessoas [e no Fale com Estanhos] ela pode falar o que for e sabe que nunca mais vai ver a gente. Fica mais fácil para alguém se abrir.

Depois de São Paulo, a dupla inicia a fase de viagens do projeto. O objetivo é passar por todos os Estados do Brasil. A primeira parada será Fortaleza. Ainda neste ano, os dois devem ir a Santos e ao Rio de Janeiro. Com os banquinhos e o cavalete, a dupla espera continuar chamando a atenção de desconhecidos que anseiam por alguns minutos de atenção para relatar a sua realidade.

Com isso, o estranhamento, esse sim, certamente passa rápido. No lugar, fica a simpatia, a curiosidade e, quem sabe, até mesmo a identificação.

Veja alguns dos depoimentos do Fale com Estranhos

Angelo, o homem que tenta negar às tentações da carne para ser fiel à mulher:

 

Galvão, o homem que diz ter prendido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a ditadura militar:


Nayara, a mulher que descobriu que o namorado saía com várias mulheres:

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