Folha Vitória Após morte de ciclista em ponte, Federação de Ciclismo pede mudanças nas vias

Após morte de ciclista em ponte, Federação de Ciclismo pede mudanças nas vias

Por falta de fiscalização e com várias ocorrências de assaltos na passarela, muitos ciclistas optam por compartilhar o espaço com os veículos

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Foto: Andréia Pegoretti
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Vidas perdidas e dezenas de assaltos registrados em uma única ponte. A morte de Pedro Paulo Alves, conhecido como Pepe, neste domingo (27), é mais uma a compor os dados da Federação Espírito Santense de Ciclismo. O rapaz morreu após ser atropelado na ponte Florentino Ávidos, em Vitória.  

A "Cinco Pontes", como é conhecida, foi a primeira a ligar a ilha de Vitória ao continente, em 1927. Planejada para a passagem de trens, logo a ponte se tornou uma das principais ligações entre a capital do Espírito Santo e Vila Velha. Atualmente, diversos veículos, ciclistas e pedestres passam pelo local todos os dias. 

A passarela da ponte é compartilhada entre pedestres e ciclistas. O espaço estreito está longe de ser o maior desafio de quem passa pelo local. O medo de ser vítima de um assalto assombra quem pedala ou caminha por lá. 

No ano passado, Carlos Renato Souza, de 45 anos, foi vítima de um roubo e acabou  morto na passarela da ponte. Meses após o crime, a polícia prendeu dois rapazes suspeitos de cometer o assassinato.

Leia também: Ciclista morto durante assalto na Cinco Pontes fazia o trajeto há mais 10 anos

Por causa da insegurança, há quem se arrisque em compartilhar a pista com os veículos. Foi o que correu com Pepe neste domingo (27). Segundo testemunhas, ele passava na pista principal da ponte quando se desequilibrou, caiu e foi atropelado por um ônibus.

O especialista em trânsito Gregório Repsold explica que a lei de trânsito determina que quando não há ciclovia, os ciclistas devem dividir a pista com veículos automotores. "O Código de Transito Brasileiro prevê que os ciclistas dividam a pista com os veículos no mesmo sentido da via. Os ciclistas devem permanecer do lado direito. O motorista precisa reduzir a velocidade quando ver uma bicicleta e manter uma distância de um metro e meio. 

O presidente da Federação Espírito Santense de Ciclismo, Marcos Paulo Silva, defende a criação de uma ciclo-rota na ponte. "Estamos sugerindo que seja realizado uma ciclo-rota, com sinalização vertical e na pista e redução da velocidade da via para 30km/h. Considerando que é um trecho de conexão entre os municípios, também pedimos para excluir o tráfico de veículos pesados", explicou. 

Outras soluções também são discutidas. Gregório lembra que criar uma passarela destinada somente à passagem de ciclistas e outras apenas para pedestres pode ser uma solução. Ele acredita que não há espaço suficiente na estrutura da ponte para criar uma ciclo-rota. "O ideal seria que o poder público definisse uma passarelas para ciclista e a outra para pedestres. Muitas vezes vem alguém na contramão e fica difícil dividir o espaço. Para criar uma ciclo-rota é preciso prever mudanças no trânsito da região", disse. 

Enquanto os debates para encontrar uma solução segura para a passagem de ciclistas na ponte Florentino Ávidos acontecem, familiares e amigos sentem a morte de Pepe. O velório do rapaz foi marcado por homenagens e aplausos na esperança de que episódios assim, não voltem a ocorrer.

O DER informou que não há projetos para a Ponte Florentino Ávidos. Segundo o órgão, atualmente acontece um processo de transferência da administração da via para a Prefeitura de Vitória.

*Com informações da repórter Milena Martins, da TV Vitória/Record TV.  

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