Folha Vitória Coronavírus: primeiros infectados no ES podem não ter desenvolvido a doença, dizem especialistas

Coronavírus: primeiros infectados no ES podem não ter desenvolvido a doença, dizem especialistas

Outra hipótese levantada é a de que a capacidade de transmissão do vírus era mais baixa antes do primeiro registro oficial da covid-19 no Brasil

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Foto: governo do ES
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A notícia sobre a possível circulação do coronavírus no Espírito Santo, ainda no final de 2019, levantou uma série de hipóteses sobre o comportamento do vírus nas primeiras transmissões. Especialistas acreditam que o potencial de transmissão do vírus, naquela época, era menor e que os infectados sequer chegaram a manifestar a covid-19, em função de uma possível baixa carga viral.

A informação de que o coronavírus poderia já estar em circulação em território capixaba antes mesmo do governo chinês anunciar oficialmente a descoberta do vírus foi divulgada nesta terça-feira (12), pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), durante uma coletiva de imprensa. O secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, e o diretor-geral do Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES), Rodrigo Ribeiro Rodrigues, informaram que foi constatada a presença de anticorpos IgG específicos para SARS-COV-2 (novo coronavírus) em amostras de infecção por arboviroses — dengue e chikungunya. 

As amostras foram coletadas entre dezembro de 2019 e junho de 2020. O resultado causou surpresa: das 7.370 amostras investigadas, foram encontrados 210 casos de pacientes que já haviam tido contato com a covid-19. 

Além disso, 16 das amostras que testaram positivo para o novo coronavírus foram coletadas antes de ser registrado oficialmente o primeiro caso no país, em fevereiro do ano passado. A primeira dessas amostras foi recolhida em 18 de dezembro de 2019.

Para a professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pós-doutora em epidemiologia, Ethel Maciel, as evidências mudam o histórico do novo coronavírus no país. "Foi uma descoberta super importante essa feita aqui no Espírito Santo, porque muito provavelmente ele (o vírus) estava também em outros lugares do Brasil. E aí as festas de Natal, ano novo, a circulação das pessoas, a mobilidade em viagens podem ter sido importantes para essa transmissão, que a gente pensava que tinha sido no carnaval", destacou.

A epidemiologista acredita que o índice de transmissão do vírus, no início, era menor em relação ao que acontece hoje. "Talvez ele não tenha começado tão explosivo assim. Talvez ele tenha começado com uma transmissão muito menor e ter feito alguma mutação. Então tudo isso a gente ainda vai compreender".

Já o microbiologista Roberto Figueiredo afirma que o mais provável é que os infectados desse período que antecede os casos oficiais não chegaram a desenvolver a doença. "É bem possível que, nessa época, havia uma carga viral baixa. Então as pessoas que tiveram contato com o vírus, muitas delas podem não ter adquirido a doença em si, mas podem ter criado anticorpos", frisou.

Para Ethel Maciel, a pesquisa serve de alerta a profissionais da saúde, já que demonstrou que um paciente pode se contaminar com dengue ou chikungunya e, ao mesmo tempo, com o coronavírus. "Agora nós vamos ter que ficar muito atentos, porque a gente já tem essa pandemia da covid-19. Então é possível que esses três vírus vão estar circulando ao mesmo tempo e que eles possam, inclusive, aumentar a gravidade de uma das doenças", alertou.

Os dados do estudo feito pela Secretaria Estadual de Saúde foram encaminhados ao Ministério da Saúde, que informou já ter sido notificado pela Sesa. No entanto, a pasta recomendou que a investigação seja aprofundada e que as amostras analisadas no Lacen-ES sejam encaminhadas para o laboratório referência do país para a covid-19, que é a Fiocruz, no Rio de Janeiro.

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV

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