Folha Vitória Entenda a Síndrome de La Tourette, doença que afeta principalmente as crianças

Entenda a Síndrome de La Tourette, doença que afeta principalmente as crianças

Além disso, a doença afeta crianças entre os 4 e os 6 anos de idade, se agravando ao passar da idade, com pico em torno dos 10 e 12 anos

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Foto: Reprodução/Pexels
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Carregada de estigmas e falta de informação, a Síndrome de La Tourette acomete crianças, adolescentes e até adultos. Neuropsicóloga Leninha Wagner explica os detalhes e como a participação da família é essencial no tratamento da pessoa.

“Uma doença neurológica não degenerativa, mas potencialmente incapacitante e capaz de gerar grave disfunção psicossocial e física, nomeadamente devido aos tiques motores e sonoros, simples e complexos, estando frequentemente associada a uma diversidade de comorbilidades”. Essa é a definição que o cientista HS Singer deu para a Síndrome de La Tourette (ST).

A doença neurológica foi descrita no século XIX, na França, por Georges Albert Gilles de La Tourette, e desde então tem sido estudada no mundo, incluindo pesquisas sobre causas, sintomas e tratamento.

Sintomas aparecem nos primeiros anos de vida

Vários pesquisadores sobre o assunto já chegaram a um consenso de que a ST é uma desordem neurológica rara que afeta o desenvolvimento e aparece durante a infância ou início da adolescência, e que está associada a rebaixamento da autoestima, comprometimento do rendimento escolar e presença de dificuldades nas relações socioafetivas e familiares. Aqui no Brasil, uma das estudiosas sobre o assunto é a neuropsicóloga Leninha Wagner. 

Ela explica que a essa síndrome é “potencialmente incapacitante e capaz de gerar implicações sociais, comportamentais e físicas. Além disso, a doença afeta crianças entre os 4 e os 6 anos de idade, se agravando ao passar da idade, com pico em torno dos 10 e 12 anos”

A doença não tem cura, até o momento, e o apoio da família dos pacientes é fundamental para a retomada do convívio social, “que é muito prejudicado pelos movimentos involuntários provocados pela síndrome, considerada potencialmente debilitante”, pondera Leninha.

Síndrome prejudica o desenvolvimento das crianças

Além disso, a doença afeta o desenvolvimento infantil, “podendo reduzir o rendimento escolar, trazer problemas emocionais, preconceito e estigmatização e bullyng na escola, enfim, tudo em razão do desconhecimento das questões que envolvem o transtorno”. 

Outro detalhe pouco conhecido, revela a neuropsicóloga, é que as pesquisas revelam que mais da metade dos pacientes apresenta transtorno de déficit de atenção com hiperatividade associado. 

“O diagnóstico preciso possibilita um plano terapêutico visando a minimizar a intensidade dos tiques, melhorando a qualidade de vida do indivíduo afetado pela doença”, ressalta.

A tendência é reduzir a gravidade durante a adolescência, revela a neuropsicóloga. “Estudos apontam que em cerca de 20% dos casos a ST mantém um agravamento na idade adulta, o que pode desenvolver formas mais graves e debilitantes dela. O aparecimento da doença, conforme mostram pesquisas, está associada a falta de autoestima, redução do rendimento escolar e dificuldades nas reações afetivas, sociais e familiares. Por outro lado, os estudos atuais reforçam que a ST prejudica o desenvolvimento infantil e destacam que os pais e professores são fundamentais para ajudar os pacientes”, completa Leninha.

Tratamento deve começar dentro de casa

A especialista recomenda que o tratamento de pacientes com ST deve começar dentro de casa com a família se conscientizando e se informando sobre a doença. 

“Os indivíduos que têm esta síndrome são muitas vezes mal compreendidos e a situação nem sempre é bem diagnosticada, porque os sintomas surgem na infância e adolescência. O primeiro passo é não culpar a pessoa pelos tiques que são involuntários e não reprimi-los, pois pode ocorrer um efeito rebote e os tiques acontecem depois de uma forma mais exacerbada”, explica.

Já o tratamento, observa Leninha, “geralmente reduz a frequência e a gravidade dos tiques, mas sem suprimi-los completamente, o que podem ajudar os doentes e famílias a compreenderem a situação e a definirem expectativas adequadas, o que facilitará o surgimento de estratégias para lidar com a doença e a otimizar todo o plano terapêutico”, finaliza.

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