Folha Vitória Mais de 900 pessoas usaram documentos de mortos para se vacinar contra a covid-19 no ES

Mais de 900 pessoas usaram documentos de mortos para se vacinar contra a covid-19 no ES

Dados são de uma auditoria realizada pela Secretaria de Controle e Transparência do Estado nos 78 municípios capixabas

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Foto: Bernardo Portela/Ascom/Bio-Manguinhos
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Uma auditoria realizada pela Secretaria de Controle e Transparência (Secont) do Espírito Santo, com dados da campanha de vacinação nos 78 municípios capixabas, apontou que um total de 934 pessoas utilizaram documentos de pessoas já falecidas para tomar a vacina contra a covid-19.

A checagem realizada pelos auditores do Estado apontou, ainda, que os registros da aplicação de doses mostram 408 casos em que o portador de um mesmo número de CPF teria recebido mais de três doses de vacina, além de outras inconsistências.

A auditoria na campanha de vacinação foi realizada em parceria com a equipe da Gerência de Auditoria em Saúde da Secretaria da Saúde (Sesa) com o objetivo de acompanhar o processo de imunização.

A análise abrangeu um universo de 882.505 doses aplicadas, no período de 18 de janeiro a 12 de maio deste ano. A ação de controle visa a identificar riscos nos procedimentos adotados e corrigir eventuais falhas que possam comprometer a rapidez e a qualidade da campanha de imunização contra a covid-19 no Estado.

Inconsistências

Entre os sinais de alerta encontrados estão 1.240 casos em que o registro aponta a aplicação de 2ª dose de laboratório diferente da 1ª dose recebida; e 70 doses registradas como fabricadas por um laboratório sem vacinas disponíveis no Estado.

Foram identificadas ainda divergências nas faixas etárias imunizadas. A auditoria constatou 11.582 doses aplicadas em cidadãos com idade inferior à faixa etária informada como justificativa para inclusão no grupo prioritário que estava sendo vacinado a cada fase da imunização.

Quando se exclui os vacinados com 60 anos ou mais, do total de 11.582 doses, 1.448 doses teriam sido recebidas por pessoas com menos de 60 anos, ou seja, em pessoas que não fariam parte deste grupo prioritário.

A averiguação detalhada de cada caso é necessária para determinar o que levou à ocorrência das inconsistências encontradas, já que elas podem ser resultado tanto de falhas na alimentação do sistema de registro das doses aplicadas como de fraudes ou ações de “fura-fila”.

Auditoria

Para a realização do trabalho, a auditoria contou com trilhas de investigação desenvolvidas pelo Laboratório de Dados, Análise e Tecnologia Aplicada à Auditoria (LAB.Data). A checagem cruzou eletronicamente as bases de dados de pessoas vacinadas com os cadastros de servidores públicos estaduais e do sistema de óbitos estadual.

A análise resultou na identificação das inconsistências, que serão encaminhadas aos órgãos competentes, como a Polícia Civil, para uma averiguação detalhada. 

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