Folha Vitória Mais de um milhão de pessoas vivem na linha da pobreza ou extrema pobreza no ES

Mais de um milhão de pessoas vivem na linha da pobreza ou extrema pobreza no ES

Número de pessoas pobres e extremamente pobres no Espírito Santo é o maior em 10 anos

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Foto: Reprodução TV Vitória

Mais de um milhão de pessoas vivem na linha da pobreza ou extrema pobreza no Espírito Santo. O número de pobres e extremamente pobres no Estado é o maior em 10 anos. 

Cerca de um quarto da população capixaba vive com até R$ 486,70, por pessoa da família, por mês. É como se um a cada quatro moradores sobrevivessem com esta quantia.  O número é maior do que o levantamento feito pelo Governo Federal sobre a pobreza no Brasil.  Os dados são do Instituto Jones dos Santos Neves (IJNS). 

"A linha que utilizamos para classificar o que é pobreza e extrema pobreza é muito acima do que o Governo Federal usa. Portanto, o número de pobres e de extremamente pobres apontados pelo nosso trabalho é bem maior do que os das pesquisas que o Governo Federal utiliza", reforçou o diretor-presidente do IJNS, Daniel Cerqueira.

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Em 2021, 274.605 pessoas eram consideradas extremamente pobres no Estado. Viviam com até R$ 168,13. por pessoa da família. por mês. O que corresponde a 6,7% da população.

Já as pessoas consideradas na linha da pobreza, somam mais de um milhão no Espírito Santo. Essas pessoas viviam com até R$ 486,70, por pessoa da família, por mês, o que corresponde a mais de um quarto da população capixaba.

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Uma das consequências do aumento da pobreza no Espírito Santo são regiões antes desocupadas, agora com moradores em residências precárias, sem o básico. É o que acontece em Nova Jabaeté, em Vila Velha.

Foto: Reprodução TV Vitória Regiane Aragão e o filho de 8 anos moram em Nova Jabaeté, em Vila Velha, e sobrevivem com R$ 400 mensais

Regiane Aragão mora com o filho de 8 anos e sobrevive com R$ 400 por mês. Não tem trabalho fixo e vive de "bicos" como faxineira. "Quando aparece algum serviço de faxina, eu vou e faço. Também vivo da ajuda dos outros para sobreviver. Eu e meu filho", disse. Com as contas atrasadas, falta dinheiro pra encher a geladeira. "Carne não tem como. Aqui ou é salsicha ou é ovo, os itens mais baratos que têm", desabafou.

O Congresso Nacional aprovou na última quarta-feira (13), a chamada PEC dos Benefícios, ampliando o Auxílio Brasil em R$ 600 até dezembro, para atender famílias pobres e extremamente pobres. 

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EXTREMAMENTE POBRES NO ESPÍRITO SANTO EM 2021:
2019: 3,6% da população
2020: 3,8% da população
2021: 6,7% da população 

O texto deve ser promulgado na sexta-feira e os depósitos já serão feitos em agosto. "À medida que as pessoas receberem esse dinheiro vai haver uma diminuição da pobreza e da extrema pobreza nesse ano. Mas, nós vamos pagar muito caro essa conta porque o custo disso é a desorganização total das contas públicas no Brasil", alertou o dirigente do Instituto Jones Santos Neves.

POBRES NO ESPÍRITO SANTO EM 2021:
2019: 20,2% da população
2020: 18,7% da população
2021: 26,3% da população

O Governo do Estado argumenta que disponibilizou R$ 136 milhões em 2021 em programas de transferência de renda. Cerca de 35 mil famílias que não têm ajuda do Governo Federal recebem o Bolsa Capixaba, que tem valor médio de R$ 200. Ainda assim, os números mostram que as ações não são suficientes.

Foto: Reprodução TV Vitória Secretária de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social do Espírito Santo, Cyntia Figueira, diz que somente programas de transferência de renda não são suficientes para combater a pobreza

"Para que a gente possa obter sucesso e reduza realmente esses números, os investimentos precisam ser também do Governo Federal. E não apenas em transferência de renda, mas na manutenção dos serviços que darão continuidade e assistência à todas essas famílias que se encontram neste perfil", explicou a secretária de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social do Espírito Santo, Cyntia Figueira.

* Com informações do repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record TV

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