Folha Vitória Mulheres vivem 3 anos a menos do que homens após infarto

Mulheres vivem 3 anos a menos do que homens após infarto

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as cardiopatias respondem por um terço das mortes de mulheres no mundo, com 8,5 milhões de óbitos por ano, ou seja, mais de 23 mil por dia

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Foto: Reprodução / Instagram
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Sempre se ouviu o contrário, mas uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Cardiologia e divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia revela que a sobrevida depois do infarto do miocárdio é de 8,2 anos para homens e apenas 5,5 anos para mulheres.

Estatísticas indicam que as doenças cardiovasculares no sexo feminino já ultrapassam as estatísticas de câncer de mama e de útero. De acordo com o cardiologista Jorge Gadioli, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que as cardiopatias respondem por um terço das mortes de mulheres no mundo, com 8,5 milhões de óbitos por ano, ou seja, mais de 23 mil por dia.

“Entre as brasileiras, principalmente acima dos 40 anos, as doenças do coração chegam a representar 30% das causas de morte, a maior taxa da América Latina”, afirma.

Especialistas reforçam que os homens ainda tendem a cuidar menos da saúde e resistem mais a tratamentos médicos e mudanças de hábito, sendo vítimas mais frequentes de doenças cardiovasculares. 

A questão é que o número de mulheres com doença cardiovascular começa a aumentar e os novos estudos apontam a menor sobrevida das vítimas do sexo feminino em relação ao masculino.

Doenças cardiovasculares afetam, principalmente, as mulheres mais jovens

Para se ter ideia, em 2020, estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mostrou que a predominância de doenças cardiovasculares é muito maior nas mulheres entre 15 e 49 anos e que também vem aumentando as mortes por doenças isquêmicas, como o infarto do miocárdio, nas mais jovens.

De acordo com o cardiologista e coordenador na unidade coronariana do Vitória Apart Hospital, Jorge Gadioli, um ponto de atenção está relacionado aos sintomas atípicos que se manifestam com mais frequência nas mulheres.

“Ardência na pele; dor no pescoço, no rosto ou na mandíbula, seguida de falta de ar; fadiga e palpitações estão entre exemplos de sinais de alerta, bem como tem repercussão significativa o estresse mental e emocional, às vezes, associado a sobrecarga de cuidado com filhos, falta de tempo para atividade física, duplas ou triplas jornadas”, diz.

Os especialistas explicam que o coração da mulher é ligeiramente menor do que o do homem (cerca de dois terços do tamanho) e sua fisiologia é um tanto diferente. 

“Pesquisas já atestaram que as suas frequências cardíacas médias, por exemplo, são mais aceleradas. As mulheres também têm artérias coronárias mais finas e maior tendência a sofrer com bloqueios não apenas nas artérias principais, mas também nas menores, que fornecem sangue ao coração. Por isso, quando infartam, descrevem a dor no peito como uma pressão ou aperto, e não como uma dor lancinante”, considera Gadioli.

O principal caminho, para os médicos, é a prevenção que se dá com a manutenção de uma rotina saudável e de visitas regulares ao cardiologista.

“A prevenção evita a manifestação de doenças cardiovasculares ou permite o controle adequado. Hoje, a ciência e a tecnologia trabalham a nosso favor. É preciso ter consciência e não se descuidar”, ressalta o cardiologista da Samp, Diogo Viriato.

Entenda por que o socorro deve ser feito em até 60 minutos depois de sintomas de infarto

No caso de sintomas agudos, o fundamental é procurar rapidamente o atendimento especializado. 

As estatísticas apontam que as chances aumentam em 90% se o atendimento for feito em até 60 minutos após o infarto, por exemplo, já que cada minuto de “demora” pode significar perda na porção do músculo do coração que assegura a circulação sanguínea.

Avaliação clínica especializada, recursos tecnológicos e monitoramento aceleram a definição de diagnóstico e tratamento, podendo salvar vidas e apontar a necessidade de outros procedimentos como cirurgias, angiografias, prescrições medicamentosas, entre outras possibilidades.

Quando procurar um hospital?

Cardiologistas também sabem que a questão do socorro rápido está também relacionada à disponibilidade de serviços e à capacidade de identificação de uma ocorrência suspeita de problema cardiovascular agudo.

Dor no peito, cansaço, falta de ar são sintomas clássicos de um infarto. Mas outras características menos reconhecidas pelo senso comum que não devem ser desconsideradas.

Jorge Gadioli afirma que um infarto pode gerar sintomas atípicos como:

- dor no estômago;

- dor nos ombros;

- dor nas costas;

- dores na mandíbula e dentes;

- desconfortos em caso de esforço físico. 

“Se esses sintomas se tornarem recorrentes na vida de uma pessoa, é importante procurar um serviço médico para um check-up capaz de avaliar possíveis causas e correlações”, considera.

O que fazer ao chegar na unidade hospitalar?

Quando o paciente com suspeita de infarto ou AVC chega a um pronto-socorro, ele mesmo ou o seu acompanhante devem estar atentos para fornecer informações importantes, como:

- sintomas pregressos;

- medicamentos regularmente usados;

- histórico familiar;

- doenças anteriores;

- uso de drogas.

Dr. Jorge Gadioli explica que todos os que sofrem infarto são encaminhados para acompanhamento em Unidade de Terapia Intensiva, mas os cuidados iniciais, que começam no pronto-socorro, são muito importantes.

Depois da ocorrência e no momento da alta, seguir criteriosamente as orientações médicas, controlando taxas, fazendo uso de eventuais medicamentos prescritos, adotando hábitos saudáveis, pois isso é uma forma de evitar a ocorrência de um segundo episódio, que é 30% maior no período de 10 anos após a primeira.

Como se prevenir e evitar infartos?

Para quem nunca teve o problema, o caminho também passa pela prevenção. E a regra vale para todos os públicos independente da faixa etária. 

“É claro que pacientes acima de 40 anos demandam cuidados mais regulares com check-ups anuais ou de acordo com a orientação do médico especialista, mas observamos cada vez pacientes mais jovens sendo acometidos por doenças cardiovasculares”, informa o cardiologista.

Segundo ele, cada paciente é um, mas nem todos os exames precisam ser feitos uma vez por ano se o paciente não tiver nenhuma outra questão associada. 

“Em geral, exames como o teste de esforço (a esteira) e o ecocardiograma são repetidos a cada dois anos em pacientes sem nenhuma questão extra, dependendo da faixa etária. Já exames de sangue e eletrocardiogramas simples, em geral, são pedidos anualmente”, explica.

Fundamental é adotar, desde a infância, estilos de vida saudáveis que contribuam para a saúde cardiovascular, evitando o sedentarismo, adotando uma alimentação balanceada e com menos sal, combatendo a obesidade e o consumo excessivo de produtos ultraprocessados, gordurosos e doces.

Veja quais são os grupos de risco para a doença

Ninguém está imune a sofrer um infarto fulminante, porém, há pessoas que estão mais propensas a isso, especialmente quem:

- Tem histórico de doenças cardíacas na família

- Está acima dos 40 anos

- É sedentário

- Está acima do peso

- Fuma

- Sofre de hipertensão

- Tem diabetes e/ou colesterol elevado

- Faz uso de álcool ou drogas

- Está com o nível de estresse elevado

Saiba o que fazer em caso de suspeita de infarto

1. Reconheça os sintomas de dor e queimação no peito, sensação de indigestão, falta de ar, cansaço e suor frio;

2. Chame por socorro imediatamente através do telefone 192 do SAMU, ou do seu serviço de atendimento móvel hospitalar particular;

3. Acalme a vítima e evite que faça qualquer tipo de esforço físico;

4. Afrouxe suas roupas e coloque-a deitada em um local tranquilo e ventilado;

5. Ofereça dois comprimidos de ácido acetilsalicílico (AAS), que devem ser mastigados e engolidos, tendo cuidado para se certificar que a pessoa não tenha alergia ao medicamento;

6. Jamais ofereça qualquer líquido ou calmante;

7. Tente obter informações que podem ajudar no atendimento médico, como casos de doenças cardíacas prévias e uso de medicamentos;

8. Caso a pessoa desmaie, ou caso já esteja desmaiada quando encontrá-la, deite-a de barriga para cima e verifique constantemente a presença de batimentos cardíacos e respiração.

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