Folha Vitória Tatuador pinta faixa de pedestre 3D em Vila Velha em protesto por falta de quebra-mola

Tatuador pinta faixa de pedestre 3D em Vila Velha em protesto por falta de quebra-mola

Morador do bairro Jockey de Itaparica, ele fez a intervenção por causa do número de crianças que brincam na via e que correm risco de serem atropeladas

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Foto: Divulgação / Instagram
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Morador da Rua Rio de Janeiro, no bairro Jockey de Itaparica, em Vila Velha, o tatuador Edinho Santana, 49 anos, resolveu protestar pela falta de um redutor de velocidade na via "tatuando" o próprio asfalto. No último domingo (23), numa insólita "sessão de tatuagem" que durou três horas, ele pintou uma faixa de pedestres com técnica em efeito 3D. 

O resultado, uma faixa ultrarrealista, provoca espanto nos motoristas, que agora puxam o freio para ter certeza do que estão vendo e não vão bater no que aparenta ser barras de concreto. 

"Alguns chegam a parar o carro, descer e tirar uma foto. Meu protesto é educativo e interativo, sem precisar queimar pneu e prejudicar ninguém", comemora o artista.

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Santana explica que a intervenção artística foi feita em nome da segurança das crianças do bairro. Segundo ele, a garotada não tem um espaço de lazer. Teriam, se uma praça próxima não estivesse em condições de abandono. Segundo ele, sem o cuidado da prefeitura, a pracinha ficou cheia de mato e virou ponto de usuário de drogas. 

"Resultado: a meninada fica brincando na rua e a minha rua é extensa e reta, sem um redutor de velocidade, um quebra-molas. As crianças ficam em situação de risco pois os motoristas passam aqui muito rápido", descreve, acrescentando que, entre os pequenos que brincam por ali, também estão seus filhos: um de três anos e outro de oito.

Ele até tentou pedir junto à própria prefeitura pela instalação de uma lombada. Mas, segundo o tatuador, há mais de um ano uma equipe da gestão anterior do executivo municipal foi ao local e disse que não seria possível a instalação. A partir daí, ele resolveu que algo deveria ser feito. 

Pesquisando na internet, ele se inspirou num projeto de segurança no trânsito feito pelo governo da Índia, com suas faixas hiperrealistas. Achou que viria bem a calhar na via onde mora. "Foi a tatuagem que mais me deu trabalho nesses 33 anos de profissão", brinca. 

"Mas por uma boa causa e pela comunidade a gente arrisca e faz", destaca. Atualmente, Santana é vice-presidente da associação de moradores do bairro, onde mora há cinco anos.

Nas redes sociais, o trabalho é só elogios, na grande maioria. Houve quem perguntasse se o efeito não poderia provocar acidentes envolvendo os motoristas. 

"É melhor o cara parar e levar uma batidinha de leve de quem vem atrás do que matar uma criança passando aqui a toda velocidade como vinha acontecendo", compara.

Prefeitura de Vila Velha e Detran: intervenção é proibida

A Prefeitura de Vila Velha respondeu, por nota, que a engenharia de trânsito foi acionada sobre o fato e informou que é proibido tal tipo de intervenção sem prévia consulta à prefeitura. 

"O cidadão será orientado sobre esta proibição", ressaltou, explicando que não será aplicada multa. "Uma equipe irá ao local orientar o cidadão sobre a proibição de intervir desta forma em via pública e para avaliar a situação", ressalta.

Para instalação de quebra-molas, a prefeitura orientou que Edinho deve protocolar seu pedido na Ouvidoria do município.

"Todo pedido de sinalização ou implantação de uma lombada passa por uma avaliação técnica da engenharia de trânsito, que verifica se está de acordo com as regras do Código de Trânsito Brasileiro e resoluções do Contran", finaliza.

A reportagem também procurou o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) para saber sobre a viabilidade do projeto. O Detran respondeu que Vila Velha é integrada ao Sistema Nacional de Trânsito e, portanto, a sinalização das vias é de competência municipal. 

Esclareceu que a sinalização horizontal e vertical deve ser feita pelo órgão de trânsito competente e que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em seu artigo 72, dá a todo cidadão ou entidade civil o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança.

"O CTB também estabelece, no artigo 95, que nenhuma obra ou evento que possa perturbar ou interromper a livre circulação de veículos e pedestres, ou colocar em risco sua segurança, será iniciada sem permissão prévia do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via", aponta o Detran.

Não atende aos critérios

Sobre a foto enviada pela reportagem, o Detran informou que a pintura na via não atende aos critérios técnicos exigidos pelo Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, onde estão estabelecidos os procedimentos de implantação da faixa de travessia de pedestres. "Orienta que o cidadão não realize interferências na sinalização viária, já que a sinalização irregular pode dar causa a acidentes de trânsito", finaliza.

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