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INSS tem 6 milhões a mais de mulheres beneficiárias do que homens

Número coincide com o índice da população brasileira, segundo o Censo 2022, e reflexo do próprio mercado de trabalho

Economia|Do R7

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Pedestres na avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio
Pedestres na avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio

A maior parte dos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é formada por mulheres. Segundo os números do instituto, elas representam 57,2% (22 milhões) do total de 38,4 milhões de beneficiários do RGPS (Regime Geral da Previdência Social). Enquanto os homens são aproximadamente 16,4 milhões, ou 42,7%. 

A diferença de 6 milhões a mais de mulheres coincide com o índice da população brasileira. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (27), o país tem 104,5 milhões de mulheres (51,5%) e 98,5 milhões de homens (48,5%). A população feminina supera a masculina em 6 milhões de habitantes.

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Segundo o Ministério da Previdência, os dados também acompanham o perfil demográfico das regiões. O perfil é reflexo do próprio mercado de trabalho, que tem contado cada vez mais com a participação feminina e em melhores condições de emprego.

Para Adriane Bramante, advogada e presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), as mudanças das leis ao longo dos anos permitiram ampliar a proteção para as mulheres.

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"É importante termos as mulheres protegidas com benefícios previdenciários, pois por muitos anos estiveram excluídas por não trabalharem fora para cuidar da família", afirma Adriane.

Ela cita como as principais alterações a contribuição da “dona de casa”, com pagamento de 5% para quem estiver no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal); e contribuição das domésticas, que tiveram sua regulamentação em 2015.

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O advogado João Badari, especialista em direito previdenciário e sócio do Aith, Badari e Luchin Advogados, afirma que essa é uma realidade porque a população feminina no Brasil é maior que a masculina. "Nada mais natural do que ter mais mulheres que são beneficiárias do que homens. Nós temos uma população de 6 milhões a mais de mulheres do que homens no Brasil", afirma.

Para ele, não há um efeito de relação direta com a Previdência. "Não vejo impacto para o INSS com relação a isso. As mulheres têm algumas regras diferentes, mas o impacto mesmo é natural, porque tem 6 milhões a mais de mulheres no país do que homens", acrescenta. 

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Um dos principais motivos para que a maior quantidade de beneficiários do INSS sejam mulheres, segundo Washington Barbosa, especialista em direito previdenciário e mestre em direito das relações sociais e trabalhistas, é por causa do benefício de pensão por morte, concedido para os dependentes de um segurado falecido. Os dependentes são o cônjuge, ou companheiro, mais os filhos ou enteados.

"O que ocorre na realidade é que a maior parte é de pensionistas mulheres. Os homens acabam falecendo mais cedo e deixando a pensão para as suas esposas ou companheiras. Quando a gente faz o cômputo geral dos benefícios do INSS, a maioria da pensão por morte é concedida exatamente a mulheres", afirma Barbosa, que também é diretor da WB Cursos.

Além desse fator, ele cita um benefício diretamente relacionado à maternidade, que é o salário-maternidade, concedido às mulheres que têm filhos.

Ele acredita que essa situação tende a mudar, porque as mulheres estão trabalhando mais e cada vez mais conquistando espaço no mercado de trabalho. Além disso, há uma mudança na estrutura das famílias, com outras formas de relacionamento que não necessariamente o casamentou ou a união estável.

"Nós temos hoje até a figura do contrato de namoro, que é exatamente para evitar a caracterização de uma união estável. O que vai ocorrer ao longo do tempo é a quantidade de filhos diminuir, a quantidade de relacionamentos ou de uniões estáveis de natureza formal tende a diminuir e, por conseguinte, o benefício de pensão por morte tende a diminuir", afirma. 

Do ponto de vista do impacto%2C já é pré-calculado. Quando falo de um benefício de pensão por morte%2C por exemplo%2C é o que a gente chama de benefício de natureza não contributiva%2C não acumulativa. É o que a gente chama de risco decorrido. Diferente de aposentadoria%2C que a pessoa vai acumulando contribuições para gerar renda lá na frente. A quantidade de mulheres ou homens não altera para o INSS%2C não gera um impacto.

(Washington Barbosa)

O RGPS é o regime previdenciário obrigatório aos trabalhadores com carteira assinada. Os benefícios da Previdência, administrados pelo INSS, podem ser de aposentadorias (por idade, invalidez ou tempo de contribuição); auxílios-doença, reclusão e acidente; pensões por morte; salários-maternidade e família; e assistências de prestação continuada.

No mês de agosto de 2023, foram 38,4 milhões de benefícios emitidos para pagamento, no

valor total de R$ 62 bilhões.

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