Peste africana faz Brasil suspender compra de carne suína da Alemanha

Decisão anunciada pelo Ministério da Agricultura foi motivada por detecção da doença em um javali em território europeu na semana passada

Alemanha confirmou que encontrou javali com a doença

Alemanha confirmou que encontrou javali com a doença

Wolfgang Rattay/Reuters - 16.7.2020

O Ministério da Agricultura do Brasil suspendeu as importações de carne de porco in natura e processada da Alemanha, após um caso de peste suína africana detectado na semana passada em um javali, disse a pasta nesta segunda-feira (14).

No comunicado ao país europeu — maior produtor da proteína no continente — o ministério disse que solicitou informações detalhadas às autoridades sanitárias sobre as medidas de biossegurança adotadas pelas plantas industriais alemãs.

A Alemanha confirmou na última quinta-feira que encontrou a peste suína africana em um javali morto nas proximidades da fronteira com a Polônia. Autoridades do Estado alemão de Brandemburgo colocaram em quarentena uma área de 15 quilômetros na qual o javali foi encontrado para buscar mais animais mortos, enquanto também restringiram o movimento em fazendas.

A ministra da Agricultura alemã, Julia Kloeckner, chegou a dizer na semana passada que o caso não era motivo para pânico, visto que as autoridades estão avaliando intensamente quais medidas precisam ser tomadas para combater a doença e evitar que ela se espalhe para fazendas comerciais de suínos.

Ainda assim, as exportações alemãs de carne suína para a China e alguns países não membros da União Europeia foram temporariamente suspensas, devido à impossibilidade de emissão de certificados declarando que os produtos são livres de PSA, exigidos por compradores.

O temor maior dos alemães é com relação aos embarques para a China, cujo comércio da proteína suína é avaliado em torno de R$ 6,25 bilhões (1 bilhão de euros) por ano.

Em razão justamente de um surto de peste suína africana desde 2018, os chineses tiveram parte significativa dos plantéis de porcos dizimados e seguem ativos na importação de carnes para atender a demanda local.

A Coreia do Sul, segundo maior comprador de carne suína da Alemanha fora da União Europeia, também anunciou veto às importações de carne suína alemã após a notícia de PSA no javali.

No caso do Brasil, dados do governo federal indicam importações de 1.800 toneladas da proteína suína alemã de janeiro a agosto, ante 2.500 no mesmo período do ano passado. De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), os principais produtos adquiridos daquele país são tripas de porco in natura e congeladas.