Economia Sebrae vai capacitar refugiados para abrirem negócios no Brasil

Sebrae vai capacitar refugiados para abrirem negócios no Brasil

Acordo entre Sebrae e Conare será assinado na tarde desta sexta-feira em SP

  • Economia | Diego Junqueira, do R7

A advogada Silvye, da República Democrática do Congo, reclama das dificuldades de encontrar trabalho no Brasil; apesar de sua capacitação, o trabalho que conseguiu foi de auxiliar de limpeza na escola dos filhos

A advogada Silvye, da República Democrática do Congo, reclama das dificuldades de encontrar trabalho no Brasil; apesar de sua capacitação, o trabalho que conseguiu foi de auxiliar de limpeza na escola dos filhos

Diego Junqueira/R7

O Sebrae vai fechar uma parceria com o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), na tarde sexta-feira (1º), para oferecer um curso de empreendedorismo para refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil.

Além da barreira do idioma, encontrar um trabalho estável é um dos maiores desafios que os refugiados enfrentam para se estabelecer no País.

O projeto "Refugiado Empreendedor" será lançado hoje no escritório do Sebrae Nacional, em São Paulo, e vai oferecer cursos gratuitos de empreendedorismo a refugiados, que serão ministrados à distância ou presencialmente. 

Em uma primeira fase, serão capacitados 250 refugiados na capital paulista.

A síria Muna Darweesh, de 35 anos, contou ao R7 que já foi convidada para participar do projeto. Ela trabalha com o marido, em casa, produzindo comida árabe. Eles atendem a pedidos de eventos, coffee breaks, chás de bebê, entre outros, mas sonham em abrir um restaurante em São Paulo.

— Nós precisamos de mais suporte para trabalhar, principalmente apoio financeiro. [Tanto que] na semana passada começamos um projeto de crowdfunding para arrecadar dinheiro.

Além da capacitação empresarial, a parceria entre Conare e Sebrae quer estimular a formalização dos empreendimentos dirigidos pelos refugiados e facilitar o acesso ao crédito para este público, explica o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

— O empreendedorismo é uma forma de incluir socialmente e, economicamente, os milhares de refugiados que o Brasil abraçou. É uma chance de eles conquistarem parte da vida que deixaram para trás.

Para o presidente do Conare, Beto Vasconcelos, a iniciativa também serve como alavanca para o desenvolvimento socioeconômico.

— Os imigrantes e refugiados ajudaram e ajudam a construir o Brasil, que é constituído por uma sociedade plural e diversa. Assim como na nossa história, no presente e no futuro eles têm condições de oferecer ao Pais o intercâmbio cultural, científico tecnológico, laboral e, sobretudo, o espírito empreendedor daqueles que buscam uma oportunidade de se manterem vivos.

O diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano, explica que a proposta de ação do projeto é muito prática: os refugiados serão orientados desde o plano de negócios até como obter crédito em uma instituição financeira.

— Queremos despertar nesse público as possibilidades que o empreendedorismo oferece em termos de ocupação e geração de renda.

No início de março, a advogada brasileira Gabriela Cunha Ferraz, que é especialista em migrações e refúgio e coordenadora do projeto Vidas Refugiadas, declarou ao R7 que o mercado de trabalho disponível a quem busca refúgio no Brasil é limitado, sobretudo para as mulheres.

— O trabalho continua sendo um dos grandes obstáculos para essa integração, porque elas mesmas dizem que a primeira palavra que aprendem em português é “limpeza”. Então, a gente entende bem qual o espaço, qual o mercado de trabalho que vem sendo reservado para mulheres migrantes e refugiadas.

De acordo com o Conare, que é vinculado ao Ministério da Justiça, existem no Brasil 8.600 refugiados reconhecidos e mais 20 mil solicitantes de refúgio. A maioria é formada por sírios, angolanos, colombianos, congoleses e libaneses.

O projeto piloto começa no dia 26 de abril e será composto por quatro fases. Na primeira, será oferecida uma palestra de sensibilização e capacitações online. Os refugiados que quiserem continuar no programa poderão participar presencialmente de um pacote de cursos do Sebrae. A terceira e quarta etapa serão voltadas para a formalização dos empreendimentos deste público e para a possível obtenção de crédito empresarial.

Para chegar até os refugiados, o Sebrae e o Conare contarão com o apoio da prefeitura de São Paulo e de  oito organizações não governamentais e entidades: ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), ADUS (Instituto de Reintegração de Refugiado), OASIS (Associação de Assistência a Refugiados no Brasil),  BIBLIASPA (Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes), Caritas Arquidiocesana de São Paulo, IKMR – Eu Conheço meus Direitos, ANAJURE (Associação Nacional de Juristas Evangélicos) e Missão Paz.

Segundo o Conare, para participar do projeto "Refugiado Empreendedor", os refugiados devem falar português básico, estar no Brasil há pelo menos um ano e possuir CPF.

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