Eleições 2020 Covid-19, renda e ataques marcam debate entre Covas e Boulos em SP

Covid-19, renda e ataques marcam debate entre Covas e Boulos em SP

Encontro na TV Bandeirantes, nesta 5ª feira (19), revelou preocupação com 2ª onda da doença, auxílio emergencial e propostas para gerar empregos

Boulos e Covas participam de debate na TV Bandeirantes nesta 5ª feira (19)

Boulos e Covas participam de debate na TV Bandeirantes nesta 5ª feira (19)

ANDERSON LIRA/ESTADÃO CONTEÚDO - 19.11.2020

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) discutiram sobre medidas conter uma possível segunda onda da covid-19 em São Paulo, propostas para gerar empregos a partir do próximo ano e aões em áreas como educação, segurança e moradia durente o debate na TV Bandeirantes na noite desta quinta-feira (19). O segundo turno da eleição municipal está marcado para o dia 29 de novembro.

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Durante o encontro, realizado na sede da emissora, no Morumbi, zona sul de São Paulo, houve ataques entre os adversários. Bruno Covas buscou reforçar a experiência como prefeito e tentou relacionar o psolista Guilherme Boulos com a gestão do PT. O tucano também levantou a "missão" de lutar contra a desigualdade social.

Já Guilherme Boulos confrontou o adversário em relação à denúncias de corrupção contra o vice na chapa tucana. Ele também ligou o concorrente com as administrações tucanas na cidade e no estado nos últimos 20 anos. Ele também frisou a experiência que obteve pelo seu envolvimento com os movimentos sociais, especialmente na busca por moradia, e lembrou que tem ao seu lado Luiza Erundina — que está na política há várias décadas e já foi prefeita da cidade.

Blocos

O debate foi dividido pela organização em quatro blocos. No primeiro, após as considerações iniciais, quando os candidatos se apresentaram ao eleitorado. ambos responderam aos questionamentos feitos por jornalistas do Grupo Bandeirantes de Comunicação. 

Foram abordados temas como a retomada da educação na cidade, orçamento municipal, a possibilidade da volta de medidas restritivas à circulação de pessoas e das atividades comerciais em caso de agravamento da crise sanitária.

Bruno Covas rechaçou a hipótese que a cidade enfrentará um lockdown (bloqueio total) a partir do dia 30 de novembro, um dia após a conclusão do segundo turno da eleição muncipal. A tese foi classificada pelo prefeito como "fake news".

"A realidade da pandemia na cidade e os números da Secretaria da Saúde mostram que há estabilidade em relação aos números. Estabilidade em relação ao número de casos, óbitos e aumento relação ao número de internações. Houve diminuição da quantidade de leitos referenciados para o coronavírus na cidade. Havendo a necessidade, há a possibilidade desses leitos voltarem".

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Já Guilherme Boulos chamou de "espetáculo lamentável" o fato de o tema da vacina para conter a doença ter sido envolvido em uma disputa político-partidária entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador paulista João Doria (PSDB). "Transformaram um tema de interesse de todos em uma disputa pequena." 

Boulos também destacou que pretende criar um programa de auxílio emergencial na cidade a partir de 2021 para combater a crise econômica. O projeto deverá atender aproximadamente um milhão de famílias em situação de extrema pobreza com R$ 400,00 mensais. "Isso ativa a economia local", complementou.

No segundo bloco, os candidatos debateram sem a intereferência dos jornalistas ou do mediador. Cada um deles teve 15 minutos para fazer perguntas ao oponente. Novamente, o enfrentamento da pandemia foi retomado. Empregos, segurança — com o aumento do efetivo da GCM (Guarda Civil Municipal) e da Operação Delegada da PM.

Guilherme Boulos questionou Bruno Covas as denúncias enfrentadas pelo candidato a vice-prefeito da sua coligação, Ricardo Nunes (MDB), suspeito de receber dinheiro dinheiro de creches conveniadas por intermédio de uma das empresas da sua família.

"Em relação ao meu vice, não apenas não tem nenhum processo judiciário como não há nenhum indício que tenha caso de corrupção. As creches conveniadas realizam excelente trabalho em São Paulo. Não vamos colocar em risco o trabalho dessas creches conveniadas", refutou Bruno Covas. 

Já o tucano procurou levar à tona aspecto do programa de governo de Guilherme Boulos, que poderia reverter processos de terceirizações em serviços importantes, considerado por Covas um retrocesso que coloca em risco cerca de 300 mil crianças em creches conveniadas na cidade. 

O quarto e último bloco do debate na Band foi reservado para os recados finais dos concorrentes à Prefeitura de São Paulo.

Bruno Covas ressaltou na sua fala a experiência que adquiriu como administrador da cidade, prometeu combater a desigualdade social e listou uma série de realizações da gestão do PSDB — iniciada por João Doria e assumida por ele, a partir de 2018 —, como: a construção de novos CEUs (Centros Educacionais Unificados), unidades habitacionais, hospitais, UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), a criação de vagas em creches e a renovação da frota de ônibus.

"São grandes os desafios que a crise do coronavírus nos impuseram. Ainda há muito a ser feito. A grande missão é a redução da desigualdade social, que ficou clara durante a pandemia. A minha cartilha é da tolerância, do respeito à ordem, à diversidade. Não se faz justiça social se não tiver responsablidde fiscal. Esse é o momento de comparar currículos".

Já Guilherme Boulos procurou mostrar ao eleitorado que possui experiência de vida por ter envolvimento com movimentos sociais que lutam por moradia na cidade e que terá em sua equipe profissionais especializados em todas as áreas de governo. 

"O crescimento nas pequisas mostra que São Paulo está vivendo uma onda de esperança. Quero levar para a prefeitura a experiência que adquiri durante 20 anos lutando ao lado de quem mais precisa. Essa experiência me deu sensibilidade. Vou aliar essa experiência de vida e de luta com a experiência de gestão da Luiza Erundina e com um enorme grupo de especialistas qualificados, gente que vai governar comigo." 

Debates cancelados no 1º turno

No primeiro turno, a maioria dos debates na TV foi cancelada devido ao número elevado de candidatos, assessores e profissionais da emissora tornariam impossível seguir protocolos sanitários para evitar a disseminação do novo coronavírus

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