Internacional América Latina precisa pensar em legalizar drogas, diz agência da ONU

América Latina precisa pensar em legalizar drogas, diz agência da ONU

Diretora da Cepal destaca que dezenas de milhares morrem em decorrência dos conflitos para controlar o comércio de narcóticos

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No México, cartéis rivais batem recorde de assassinatos

No México, cartéis rivais batem recorde de assassinatos

Reuters / Jose Luis Gonzalez / 4.1.2018

A América Latina precisa pensar seriamente em legalizar as drogas para diminuir o custo humano da proibição, disse a chefe de uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a região na segunda-feira (28).

Dezenas de milhares de pessoas de toda a América Latina morreram em decorrência da violência gerada pelo esforço para controlar o lucrativo comércio de narcóticos, particularmente no México, onde os assassinatos cometidos por cartéis rivais atingiram um recorde no ano passado.

Alicia Barcena, mexicana que comanda a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), braço regional da ONU sediada em Santiago, disse em um fórum sobre a América Latina realizado em Paris que é hora de explorar uma nova estratégia.

"Serei muito provocadora. A legalização das drogas seria boa para quem? A América Latina e o Caribe, pelo amor de Deus. Porque a ilegalidade é o que está matando as pessoas. É hora de cogitar seriamente legalizar as drogas."

EUA é maior mercado

Peru, Colômbia e Bolívia são os maiores produtores da folha de coca usada para fazer cocaína, grande parte da qual é contrabandeada pelo México para chegar aos Estados Unidos, o maior mercado do mundo.

A batalha para dominar os mercados de metanfetamina e heroína também provocou uma escalada da violência no México.

A maioria dos países das Américas continua adotando políticas repressivas para as drogas, mas a liberalização das leis para o consumo de maconha nos EUA incentivou os apoiadores da legalização a dobrarem seus esforços.