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Contas de bebê real devem se tornar alvo da Receita nos Estados Unidos

Como filho de americana, possível herdeiro do trono — ainda que nascido na terra da rainha — deve informar rendimentos e até presentes mais generosos

Internacional|Ana Luísa Vieira, do R7

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Meghan e Harry se casaram no ano passado
Meghan e Harry se casaram no ano passado

Falta pouco: entre este final de abril e o início do mês de maio, Meghan Markle — ex-atriz e atual duquesa de Sussex, no Reino Unido — deve dar à luz seu bebê com o príncipe Harry. As apostas sobre o nome e o sexo do pequeno correm soltas, mas os experts do mercado contábil estão de olho em uma particularidade mais curiosa sobre a vida da criança: como filho de uma cidadã americana, o possível herdeiro do trono — ainda que nascido na terra da rainha — deverá prestar contas sobre seus rendimentos financeiros ao Internal Revenue Service (IRS, na sigla americana, serviço de receita dos EUA)

Marc Strohl, fundador da Protax Consulting Services — empresa de consultoria e contabilidade fiscal nos EUA — explica, em entrevista ao R7: “Os EUA são um dos poucos países cujo sistema de declaração de impostos se baseia na cidadania. Então, se você é cidadão americano ou possui um green card — visto de imigração permanente —, tem de declarar seus rendimentos, ainda que esteja em qualquer lugar do mundo”.

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Questão inédita

Os filhos de um americano que tenha vivido em seu país de origem por mais de cinco anos também são considerados cidadãos — daí o imbróglio inédito envolvendo um bebê real.

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“Em qualquer idade da vida, se um cidadão americano é presenteado — mesmo que por alguém estrangeiro — com um valor superior a 100.000 dólares (aproximadamente R$397.000,00), a quantia deve ser reportada ao IRS”, aponta Strohl. Dada o considerável patrimônio da realeza britânica, é de se imaginar que a rainha Elizabeth 2ª já tenha destinado algum investimento ao mais novo bisneto.

A própria Meghan, aliás, segue sujeita ao escrutínio dos fiscais americanos. “Qualquer cidadão expatriado que ganhe, por meio de seu trabalho, mais que US$ 5,00 (ou R$ 19,90), deve reportar o valor ao IRS”, acrescenta o expert. Strohl ressalva, entretanto, que há mecanismos para aliviar ou driblar a dupla tributação — que é a cobrança de imposto por duas ou mais jurisdições sobre o mesmo ativo de renda.

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“Tecnicamente, se você é cidadão americano e conta com fontes de renda apenas fora do país — sem nenhum rendimento dentro dos EUA —, você não deve ser tributado, mas apenas declarar o que tem ou ganha”, declara.

Contas a declarar

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As contas abertas fora dos Estados Unidos estão entre os demais itens que Meghan e seu primogênito devem incluir em suas declarações: “Não somente contas em banco, como seguros e aposentadorias privadas. As chamadas ‘contas negativas’ — hipotecas, linhas de crédito e cartões de crédito — também entram nos relatórios”, lembra Strohl.

“E não para por aí: se a Meghan Markle ou seu filho contarem com mais de 10% de participação em corporações e parcerias fora dos Estados Unidos, o IRS também deverá ser reportado”, destaca o especialista da Protax Consulting Services.

Na opinião de Marc Strohl, o sistema americano é excessivamente burocrático: “Os Estados Unidos apresentam, de longe, o sistema de declaração de impostos mais complexo do mundo. Donald Trump fez sua campanha com a promessa de que simplificaria muitas dessas regras. Mas desde que foi eleito, as normas não somente deixaram de ser simplificadas, como se tornaram muito mais complicadas”.

Interesse do público

O expert acha compreensível, entretanto, que as futuras obrigações contábeis e fiscais do bebê real despertem tamanho interesse. “O mundo sempre teve um fascínio pela família real. Eu acredito que todos se surpreenderam, em um primeiro momento, com o fato de que uma afrodescendente tenha se casado com um príncipe do Reino Unido. Mas felizmente vivemos novos tempos”, começa Strohl.

Passado este primeiro "choque", o especialista diz que o público obviamente começa a ponderar sobre a cidadania de Meghan. “Os próprios americanos estão maravilhados com o fato de que ‘um de nós está no Palácio de Buckingham’. E como pagamos impostos e conhecemos nossa burocracia, nos perguntamos como Meghan Markle será afetada. Será que isso vai nos permitir saber mais sobre a família real — que é tida como uma organização cheia de segredos?”

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