Internacional Jornalista russa presa por protesto na TV rejeita oferta de asilo na França

Jornalista russa presa por protesto na TV rejeita oferta de asilo na França

Marina Ovsiannikova invadiu telejornal com cartaz em que alertava os telespectadores de que a emissora estava mentindo

AFP
Marina Ovsiannikova, de 43 anos, não deseja deixar o país

Marina Ovsiannikova, de 43 anos, não deseja deixar o país

Reprodução Facebook/Marina Ovsiannikova

A jornalista russa Marina Ovsiannikova, de 43 anos, que ficou conhecida ao invadir um telejornal russo para denunciar a ofensiva de seu país contra a Ucrânia, rejeitou uma proposta de asilo feita pelo presidente da França, Emmanuel Macron, porque não deseja se mudar da Rússia.

"Não quero deixar o nosso país. Sou uma patriota, meu filho mais ainda. De forma alguma queremos ir embora, não queremos ir para lado nenhum", declarou Marina à revista alemã Der Spiegel. O presidente francês havia se declarado disposto a oferecer "proteção consular" à jornalista, seja na embaixada ou lhe concedendo asilo. 

Marina invadiu na última segunda-feira (14) o telejornal russo de maior audiência, o da rede Pervy Kanal (conhecida como Channel One, no Ocidente), onde trabalha como produtora, exibindo um cartaz em que criticava a operação militar da Rússia na Ucrânia e denunciava a "propaganda" da mídia controlada pelo poder.

A jornalista foi presa e libertada após pagar uma multa. No entanto, pode ser acusada criminalmente e condenada sob uma lei recente que reprime qualquer "informação falsa" sobre os militares russos.

"Isso é uma guerra contra um povo irmão! Ninguém que esteja bem da cabeça pode aceitá-la", criticou Marina, que nasceu em Odessa (Ucrânia), filha de pai ucraniano e mãe russa.

A jornalista considerou que sua ação "foi, antes de tudo, um ato pacifista: tanto à Rússia quanto ao mundo interessa acabar com essa guerra o mais rapidamente possível. Queria mostrar ainda que os russos também são contra essa guerra, o que muita gente no Ocidente não entende. A maioria das pessoas inteligentes e instruídas daqui se opõe a essa guerra".

Marina disse que preparou seu protesto sozinha e não contou seus planos a ninguém. "A maioria das pessoas que trabalham para a TV nacional entende muito bem o que está acontecendo. Não são propagandistas convencidas", afirmou, declarando-se "feliz" porque vários jornalistas russos de canais públicos pediram demissão nos últimos dias em protesto contra as restrições à informação.

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