Internacional Trudeau critica protestos de caminhoneiros no Canadá que também ocorrem em outros países

Trudeau critica protestos de caminhoneiros no Canadá que também ocorrem em outros países

Movimento contra regras anti-Covid, chamado de “Comboio da Liberdade”, estimulou manifestações na França e na Nova Zelândia

AFP
Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, em uma entrevista coletiva em Ottawa

Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, em uma entrevista coletiva em Ottawa

Dave Chan/AFP - 12.02.2022

O primeiro-ministro canadiense, Justin Trudeau, criticou os protestos liderados por caminhoneiros contra as regras anti-Covid que paralisaram o centro de Ottawa e estimularam movimentos similares na França e na Nova Zelândia.

A polícia canadense ameaçou na última quarta-feira (9) prender os manifestantes que se uniram ao bloqueio da ponte Abassador, que liga Windsor e a cidade americana de Detroit, em solidariedade com centenas de caminhoneiros que bloqueiam há duas semanas a capital.

"Os bloqueios, as manifestações ilegais, são inaceitáveis e estão impactando negativamente os negócios e fábricas", declarou o primeiro-ministro, Justin Trudeau, na Câmara dos Comuns. "Temos que fazer de tudo para que isso acabe", completou.

"Não podemos terminar a pandemia com bloqueios (...) Precisamos encerrá-la com ciência. Precisamos encerrá-la com medidas de saúde pública", insistiu.

O chamado "Comboio da Liberdade" começou em janeiro no oeste do Canadá, conduzido por caminhoneiros que rejeitam a vacinação ou testes obrigatórios para cruzar a fronteira com os Estados Unidos. Mas o movimento virou um protesto mais amplo contra todas as medidas sanitárias aplicadas contra a Covid-19.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que as autoridades americanas estão em "contato direto" com as agências de fronteira canadenses devido ao bloqueio da ponte e advertiu sobre o "risco para as cadeias de abastecimento" e a economia dos dois países.

Mais de 40 mil passageiros, turistas e caminhoneiros carregando mercadorias no valor de 323 milhões de dólares cruzam a ponte diariamente.

Dezenas de câmaras de comércio e associações industriais no Canadá e nos Estados Unidos exigiram que a ponte fosse liberada.

"À medida que nossas economias emergem dos impactos da pandemia, não podemos permitir que nenhum grupo prejudique o comércio além-fronteiras", disseram.

Imitadores

Apesar das advertências, o protesto prossegue e virou inspiração no exterior, com movimentos similares na Nova Zelândia, Nova York ou França.

Nesta quinta-feira (10), no centro de Wellington, policiais e manifestantes antivacina se enfrentaram diante do Parlamento neozelandês. Mais de 10 pessoas foram detidas.

Na França, milhares de manifestantes inspirados pelos caminhoneiros canadenses planejam entrar em Paris na noite da sexta-feira (11), com alguns deles dispostos a seguir até Bruxelas na próxima segunda-feira.

A polícia de Paris atuou nesta quinta-feira para impedir o protesto e anunciou a proibição dos chamados "comboios da liberdade", com a presença de agentes nas principais rodovias para que não sejam bloqueadas, além da ameaça de multas e detenções.

No berço do movimento, no centro de Ottawa, na noite de quarta-feira havia um clima de desafio e celebração.

"Não vamos a lugar nenhum", disse caminhoneiro John Deelstra, ao volante de seu veículo, estacionado no local desde o primeiro dia de protestos.

Lloyd Brubacher, caminhoneiro de Ontário, tem a mesma convicção e está disposto a "lutar até o fim".

"Esta é uma situação dramática que está afetando o bem-estar da relação do Canadá com os Estados Unidos e tem um grande impacto na forma como as empresas podem realizar suas operações", analisou Gilles Le Vasseur, professor da Universidade de Ottawa.

"Bloqueio econômico ilegal"

Quase 400 veículos permanecem estacionados diante do gabinete do primeiro-ministro canadense, em meio a churrascos, fogueiras e música.

Proibidos por lei de usar suas buzinas após as reclamações dos moradores, os manifestantes agora usam o barulho dos motores, o que enche o centro de Ottawa com fumaça de diesel.

O setor econômico está preocupado. O presidente da Associação Canadense de Fabricantes de Automóveis, Brian Kingston, alertou que o bloqueio da ponte Ambassador está "ameaçando cadeias de suprimentos frágeis já sob pressão de escassez e atrasos relacionados à pandemia".

As autoridades afirmaram que 5.000 trabalhadores em Windsor foram enviados de volta para casa na última terça-feira por causa do bloqueio e várias fábricas de montagem se preparavam para fechar por falta de peças.

Michelle Krebs, analista da Autotrader em Detroit, explicou que as montadoras norte-americanas dependem de entregas pontuais de peças por aquela ponte suspensa.

O setor automotivo, sublinhou, "é uma parte significativa da economia" e foi afetado no último ano.

O ministro canadense dos Transportes, Omar Alghabra, advertiu para "sérios perigos" por este "bloqueio econômico ilegal contra todos os canadenses".

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