Coronavírus: incerteza toma conta do mercado

Ainda é cedo para calcular as perdas com o coronavírus, mas países que têm parcerias com a China, como o Brasil, serão impactados

Ainda é cedo para calcular as perdas com o coronavírus, mas países que têm parcerias com a China, como o Brasil, serão impactados

Ainda é cedo para calcular as perdas com o coronavírus, mas países que têm parcerias com a China, como o Brasil, serão impactados

Folha de Pernambuco

Com ruas desertas, escritórios fechados, fábricas paradas e comércio fechado, uma das principais cidades da economia mundial, Xangai, na China, está tomada pelo medo do contágio do coronavírus, que já matou cerca de 250 pessoas e contaminou mais de 10 mil. Em todo o mundo, investidores estão receosos quanto às consequências do surto da “Doença Respiratória de 2019-nCoV”, denominada assim pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que surgiu na cidade de Wuhan, na China. Além dos riscos para a saúde, a disseminação da doença já tem consequências diretas no crescimento da segunda maior economia do mundo e dos países com os quais tem parcerias comerciais.

Ainda é cedo para calcular o impacto na economia chinesa e suas consequências em países como o Brasil, mas especialistas não descartam o registro desses efeitos a qualquer momento. De acordo com o economista e sócio-diretor da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, Jorge Jatobá, é cedo para que os impactos reais sejam previstos, mas também é certo que os países que atuam com a China podem sofrer perdas importantes.

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“O impacto será significativo, mas sua extensão é difícil de dizer, porque tudo indica que a doença deve ficar mais séria nos próximos dias, e as coisas podem piorar antes de uma possível melhora do mercado. O impacto não é desprezível. É muito provável que a volatilidade se mantenha com subidas e descidas atingindo os agentes. Investidores podem adiar investimentos, viagens, decisões importantes deixam de ser tomadas”, contou.

O economista destaca ainda para o impacto nas bolsas de valores de todo mundo, mas até o momento quem mais sofre com a doença é o mercado de entretenimento. “A extensão dessa queda vai depender muito da continuidade e do avanço dessa epidemia. As bolsas de valores vão sofrer, principalmente as empresas com atuação no entretenimento, como cinema, teatro, shows, esportes. A primeira atitude por parte dos países que podem ter casos é desestimular grandes aglomerados”, disse.

Na visão do consultor econômico financeiro Tiago Monteiro, a incerteza que o mercado econômico apresenta é pelo fato de que a China não apresenta com tanta clareza as informações a respeito da sua economia. “A gente já teve historicamente coisas parecidas, como o ebola. Mas quando se fala da China, o acesso a informação não é transparente. Os investidores ficam receosos e tem essa pressão na moeda americana. Eles correm para outros investimentos como ouro, dívida pública americana e japonesa”, afirmou.

Tiago ressalta ainda que com a pouca circulação de produtos na China, o Brasil pode se beneficiar com o envio de produtos para a potência asiática, como a carne. “Um impacto é que como as coisas não estão rodando muito bem com a atividade industrial parada, pode ser que tenha uma abertura da importação de produtos brasileiros como proteína. Se a gente exportar mais produtos, por conta da queda na produção deles, podemos atrair o mercado internacional e deixar o mercado interno inflacionado - que por não ficar abastecido pode ter um preço maior. Podemos falar de mais exportações por conta da falta de circulação interna no mercado asiático”, analisou.